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Você trabalha na record TV?

Boa tarde, espero que esteja bem!

Vi que muitos de seus textos foram reunidos do site "https://cultura.culturamix.com/"

Por gentileza, poderia me informar o seu intuito de adicionar estes textos do antigo Egito neste site de Minecraft?

Grata! MelinahSz (talk) 18:39, 5 May 2022 (UTC)

RESPONDENDO

OI, EU SOU ARTHUR SILVA FERRARI, QUAL É SEU NOME, EU PEGO ESSES TEXTOS DA WIKIPÉDIA E COLANDO, TRAGO ELES PRA CÁ!

ONDE VOCE TRABALHA

SEU NUMERO.

Deus Ámon

Ámon (também Amon ou Amun; em grego clássico: Ἄμμων; romaniz.: Ámmon ou Ἅμμων, Hámmon; em egípcio: Yamānu) foi um deus da mitologia egípcia. Seu nome significa "O oculto", uma vez que originalmente era a personificação dos ventos. Durante o Antigo e o Médio Império Amon existiu como uma divindade extremamente local e pouco importante. Adorado em Tebas (uma cidade distante dos grandes centros de poder localizados em Mênfis, Heliópolis e Abidos), Amon provavelmente dividia sua mitologia com mais sete deuses locais. Pouco sabemos desta mitologia primeira que envolvia a figura de Amon nos primórdios da civilização egípcia. Com a fundação da XVIII dinastia e o despontar do Novo Império, Amon muda completamente de status. De origem tebana, os faraós da XVIII dinastia deslocaram definitivamente o eixo do poder para o Alto Egito, fazendo de Tebas sua capital. Magicamente, Amon converte-se no deus do Império, propiciador da vitória nas batalhas e pai de todos os demais deuses do panteão. Como que para legitimar esta mudança de funções divinas, Amon é relacionado a Rá, o mais antigo dentre os deuses que um dia foram adorados como criador da vida e pai de todos os deuses. Sob o nome de Amon-Rá, Amon passa a ser reverenciado sob aspectos criadores e solares. Embora seu nome continue significando O Oculto ou O Escondido, escasseiam as referências de Amon como personificação dos ventos. Origem do nome

O nome de Ámon foi registrado pela primeira vez no idioma egípcio como ỉmn, que significa "O escondido". Como as vogais não eram escritas nos hieróglifos egípcios, egiptólogos reconstruíram a pronúncia de seu nome como Yamānu (/jamaːnu/). O nome sobreviveu no copta como Ⲁⲙⲟⲩⲛ, Amoun.[carece de fontes]

Iconografia

Identificado com o sol, era representado de várias formas: como animal, como homem com cabeça de animal ou como um homem normal com um barrete encimado por duas grandes plumas. Os animais a ele associados eram o ganso e o carneiro. Por isso, este deus podia ser representado sob estas formas, embora a de ganso fosse muito rara. Os sacerdotes que prestavam culto a este deus vestiam túnica branca com capa de pele de leopardo, tinham de raspar a cabeça e não podiam caçar animais relacionados ao deus, nem usar peruca.

Por volta do ano 2 000 a.C., Ámon era o principal deus dos egípcios. Seiscentos anos mais tarde, o Faraó Aquenáton preocupado com o grande poder que os sacerdotes deste deus tinham alcançado, tentou substituir o seu culto pelo de Áton. Porém, à sua morte, o seu sucessor, o Faraó Tutancâmon, fez com que todo o Egito passasse a prestar de novo culto a Ámon. O culto a este deus haveria de acabar definitivamente quando os assírios, no ano 663 a.C., conquistaram Tebas e impuseram o culto aos seus deuses.

O deus Ámon era acompanhado de sua mulher Mut (representada num corpo de mulher, mas com cabeça de abutre ou coroas).

Sacerdotes

Cada sacerdote do deus Ámon deve utilizar sempre uma túnica branca com uma capa de pele de leopardo, ele tem cabeça raspada e não pode fazer certas coisas, como caçar animais relacionados ao deus e usar uma peruca. Ámon tinha o principal centro de culto em Tebas, no Antigo Egito.

Deus Anúbis

Anúbis (em grego clássico: Ἄνουβις) ou Anupo foi como ficou conhecido pelos gregos deus egípcio antigo dos mortos e moribundos, guiava e conduzia a alma dos mortos no submundo, Anúbis era sempre representado com cabeça de chacal, entretanto os egiptólogos mais conservadores afirmam que não há como saber com certeza o animal que o representa, era sempre associado com a mumificação e a vida após a morte na mitologia egípcia, também associado como protetor das pirâmides. Na língua egípcia, Anúbis era conhecido como Inpu (também grafado Anup, Anpu e Ienpw). A menção mais antiga a Anúbis está nos Textos das Pirâmides do Império Antigo, onde frequentemente é associado com o enterro do Faraó. Na época, Anúbis era o deus dos mortos mais importante, porém durante o Império Médio, Osíris. , passou a ter a função de deus primordial dos mortos, enquanto que Anúbis tinha funções menores como por exemplo o preparo do corpo e embalsamento dos mortos, além disso era o protetor do processo de mumificação.

Assume nomes ligados ao seu papel fúnebre, como Aquele que está sobre a sua montanha, que ressalta sua importância como protetor dos mortos e de suas tumbas, e o título Aquele que está no local do embalsamamento, associando-o com o processo de mumificação. Como muitas divindades egípcias, Anúbis assumiu diversos papéis em vários contextos, e nenhuma procissão pública no Egito era realizada sem uma representação de Anúbis marchando em seu início.

A esposa de Anúbis é a deusa Anput, seu aspecto feminino, e a sua filha é a deusa Kebechet.

Os egípcios acreditavam que no julgamento de um morto o coração dele era pesado numa balança e a Pena da Verdade (que pertencia à consorte de Toth, Maat, a deusa da verdade). Caso o coração fosse mais pesado que a pena o defunto era comido por Ammit (um demônio cujo corpo era composto por partes híbridas de leão, hipopótamo e crocodilo), mas caso fosse mais leve a pessoa em questão poderia ter acesso ao paraíso ou a alma voltaria ao corpo. Anúbis era quem guiava a alma dos mortos.

Mumificação

Após ser despedaçado pelo irmão, Seti, Osíris tem seu corpo embalsamado por Anúbis, tornando-o a primeira múmia, e fazendo com que se torne o deus do embalsamento. Os sacerdotes de Anúbis, chamados stm, usavam máscaras de chacais durante os rituais de mumificação. Anúbis é uma das mais antigas divindades da mitologia egípcia e seu papel mudou à medida que os mitos amadureciam, passando de principal deus do mundo inferior a juiz dos mortos, depois que Osíris assumiu aquele papel. O papel funerário de Anúbis é muito importante, pois depois da mumificação os egípcios acreditavam que o coração era entregue ao deus Anúbis; ele pesava-o em conjunto com a Pena da Verdade: se o coração fosse mais pesado que a pena, era pesado de maldade e Ammit, o deus-leão, comia-o; mas se fosse leve de bondade, Anúbis levava-o num barco a atravessar o rio Nilo para ir ter com o deus Osíris, deus da morte e do submundo, ao mundo dos mortos, para viver a "vida depois da morte".

Chacal

A associação de Anúbis com chacais ou cães provavelmente se deve ao fato de estes perambularem pelos cemitérios. Anúbis era pintado de preto, por ser escura a tonalidade dos corpos embalsamados. Apesar de muitas vezes identificado como sab, o chacal, e não como iwiw, o cachorro, ainda existe muita confusão sobre qual animal Anúbis era realmente. Alguns egiptólogos se referem ao "animal de Anúbis" para indicar a espécie desconhecida que ele representava. As cidades dedicadas a Anúbis eram conhecidas pelo grande número de múmias e até por cemitérios inteiros de cães.

Família

A sua mãe é Néftis, que durante uma briga com o marido Seti passou-se por Ísis e teve relações com Osíris.

Anúbis é pai de Qeb-hwt, também conhecido como Kebechet. Em épocas mais tardias, Anúbis foi combinado com o deus grego Hermes,surgindo assim Hermanúbis.

Deusa Amonet

Amonet era uma deusa da mitologia egípcia, a versão feminina do deus Amon. O seu nome significa "A Oculta".

Esta deusa surgiu na época do Império Antigo, tendo o seu culto se consolidado na época do Império Médio .

Na cosmogonia proposta pela Ogdóade de Hermópolis, Amonet era a esposa de Amon. Ambos representavam o intangível, o oculto e o poder que não se extingue. Nesta cidade era representada como uma mulher com cabeça de rã.

Na cidade de Tebas, onde era representada como uma mulher que usa a coroa vermelha do Baixo Egito, será substituída pela deusa Mut como esposa de Amon.

Outra possível forma de representá-la era na forma de vaca.

Amonet desempenhava um importante papel nas cerimónias de entronização do faraó, bem como nas festas de Heb-Sed (jubileu real, geralmente celebrado após trinta anos de reinado), onde era por vezes acompanhada pelo deus Min.

No templo de Amon em Carnaque, o faraó Tutancâmon mandou erguer uma estátua da deusa com Amon.

Amonet foi identificada pelos Gregos como a deusa Atena.

Deusa Anúquis

Anúquis (em grego clássico: Ανουκις) ou Anuquete (Anuket) sig. "abraçar"), na mitologia egípcia, era uma deusa inicialmente ligada à água que com o tempo tornar-se-ia uma deusa associada à sexualidade. Os gregos associaram-na à sua deusa Héstia.

Seu culto estava centrada na região da primeira catarata do Nilo, mas especificamente na ilha de Sehel. Em Elefantina era agrupada com Quenúbis (considerado como o seu marido) e com Sátis. Ela adquiriu grande popularidade em períodos durante os quais o Egito dominava regiões situadas para além da primeira catarata.

Anúquis era representada como uma mulher que tinha sobre a cabeça um toucado formado por plumas ou vegetais. Em alguns casos surge como uma gazela, animal sagrado associado à deusa.

Deus Ápis

Na antiga religião egípcia Ápis (Hapi-ankh) é a personificação da Terra.

O "morto-vivo" (Osíris) encarnou num touro branco sagrado. Era o touro de Mênfis. Simbolicamente representado como um touro negro com um triângulo branco na testa e o disco do sol entre os chifres.

Seu culto está associado com Ptah.

O local onde eram enterrados os seus touros sagrados levava o nome de serapeu.

O escritor satírico Luciano de Samósata ridiculariza o culto a Ápis, comentando que quando grande deus Ápis morre, cada homem corta o seu cabelo; em seguida, através de uma eleição, um dos touros que estão no pasto é levado para o templo, pois a sua beleza superior e porte majestoso mostram que ele é mais que um touro.

Deus Áton

Áton, Aton ou Aten é um neter Egípcio da teosofia conhecida como Atonismo na cidade de Amarna. Historicamente, o primeiro caso de monoteísmo, reconhecido como tal pelos historiadores, foi o culto do faraó Amenhotep IV ou Akhenaton ao deus Aton. "Aton vivo, não há outro exceto ele!", disse o faraó. O monoteísmo é a base central da crença Monoteísta adotada por diversas religiões como o Judaísmo, Cristianismo, Islamismo, etc..

Segundo a egiptologia moderna, o culto a Aton não é o resultado de uma simples reforma religiosa, ou de um indivíduo em determinado período, mas um processo de mentalidade que ocorreu em um longo espaço de tempo na História, onde Aton é o fruto da metamorfose do deus Ra, e consequentemente alcança a supremacia entre os deuses. As primeiras menções do nome do deus Aton é encontrada por volta da XII dinastia.


Akhenaton na forma de uma esfinge adorando a Aton. Cartucho esquerdo com os nomes de Aton e Akhenaton.

O deus do sol Aton ganhou grande notoriedade no reinado de Amenhotep III, quando ele ainda era retratado como um homem com cabeça de falcão. Durante o reinado de seu sucessor Amenhotep IV, Aton tornou-se a principal divindade do Estado Egípcio. Depois disso, Amenhotep IV mudou seu nome para Aquenáton ( "agradável Aton"), para mostrar a sua estreita relação com esta divindade.

No reino do faraó Aquenáton, o deus Áton era representado como um disco solar, fonte de energia da vida terrena, cujo símbolo dos raios terminavam como mãos que seguravam a chave do Ankh.

Nomes derivados de Aton

Akhenaton: "agrada a Aton"

Ahetaton: "Horizonte de Aton". A cidade capital construída por Akhenaton, localizada na região conhecida como Amarna.

Anhesenpaaton: "Sua vida é Aton"

Baketaton: "Servo de Aton"

Merytaton: "Meu Aton favorito"

Meketaton: "O que olha para Aton"

Neferneferuaton: «O mais bonita do Aten"

Tutankhaton: "Viver à semelhança de Aton"

Deus Atum

Atum é um neter kamitu, adorado em Heliópolis. É o resultado da transformação de Nun (o ser subjetivo) no ser objetivo.

Aparece desde cedo como deus primordial e criador pois deu origem a uma explosão que gerou os demais corpos celestes do universo, mas sendo um evento pré-planejado. Este cria o sol da tarde e quando "torna-se a si mesmo", toma forma de Rá. que inicia os neteru geradores e gera o sol da manhã. Atum foi o criador do céu e da terra separando-os. Mas no momento que "torna-se a si mesmo", une-se a Rá, e se transforma em único ser, que seria chamado de Atum-Rá. Não tendo parceiro, o deus primevo realizou o primeiro ato de criação sem relação sexual: "Então nasceram os gêmeos Shu e Tefnu". Diz se também que Atum cuspiu Shu e vomitou Tefnu, primeiro casal divino, que desenvolveram o ciclo criador e a paz social na terra.

O mito da criação


Horemebe ajoelhado diante ao neteru Atum, Museu de Luxor

Separação de deuses irmãos marca origem do mundo dos humanos. Os primeiros filhos de Rá, Shu (deus do ar) e Téfnis (deusa da umidade).

Como é comum nessa mitologia, os irmãos formaram um casal e tiveram como filhos Geb (deus da terra) e Nut (deusa dos céus). Ao nascer, os netos de Rá se juntaram, formando outro casal. Rá não gostando dessa união ordenou a Shu que ele separasse os filhos. Este empurrou Nut para cima e pressionou Geb para baixo. Enquanto Nut se tornava o céu que cobre o mundo, Geb virou a terra em que vivemos. E Shu permaneceu entre os filhos, representando o ar que as pessoas respiram. Atum era visto com um ser de gênero e identidade não-binária conhecida por muitas vezes como GRANDE ELE-ELA Sol andrógino da maturidade não era nem masculino nem feminino, para atuar em diferentes aspectos manifestou se em forma não-binária. Também existe representações deste usando duas coroas, uma representando o baixo Egito e a outra o alto Egito.

Deusa Bastet

Bastete (em egípcio: bꜣstt; em copta: Ⲟⲩⲃⲁⲥⲧⲉ; romaniz.: Oubaste) ou Baste, na mitologia egípcia, foi uma deusa felina, cultuada desde ao menos a II dinastia (ca. 2 890 a.C.).

Nome

Nos primeiros hieróglifos egípcios, o seu nome parece ter sido bꜣstt. Na escrita egípcia, o segundo -t marca uma desinência feminina, mas normalmente não era pronunciado, e o álefe ꜣ pode ter se movido para uma posição antes da sílaba acentuada, ꜣbst. No primeiro milênio, então, bꜣstt teria sido algo como *Ubaste (<*Ubastat) na língua egípcia, mais tarde se tornando o copta Oubaste. Muito embora hajam tentativas de correlacionar Bastet á Sekhmeth não há relação ou evidência histórica contundente de que as duas divindades seriam as mesmas, Sekhmeth sendo notadamente uma divindade introduzida por corruptores do sistema de crença original Egípcio.

Deus Geb

Geb ou Gebe é o deus egípcio da terra. Era também um dos deuses da enéade. Pai de Osiris, Ísis, Seti e Néftis e marido de Nut.


Índice


1Poderes

2Iconografia

3Família

4Referências

5Bibliografia

Poderes

Estimula o mundo material dos indivíduos e lhes assegura enterro no solo após a morte. Umedece o corpo humano na terra e o sela para a eternidade no túmulo.

Suas cores eram o verde (vida) e o preto (lama fértil do Nilo). É o suporte físico do mundo material, sempre deitado sob a curva do corpo de Nut. É o responsável pela fertilidade e pelo sucesso nas colheitas. É sempre representado com um ganso sobre a cabeça, nas pinturas etc

Iconografia

Seu animal representante era o ganso. E ele era comumente representado usando uma coroa com uma pluma e chifres em forma de carneiro.

Família

Filho de Shu e Téfnis, marido de Nut, e pai de Ísis, Néftis, Osíris, Tote e Seti.

Deusa Hator

Hator (em egípcio: ḥwt-ḥr) foi uma das principais divindades na religião do Antigo Egito que desempenha uma variedade de papéis diferentes. Como deusa do céu era a mãe ou consorte do deus do céu Hórus e do deus do sol Rá, ambos os quais eram conectados com a realeza, assim ela era a mãe simbólica de seus representantes terrenos, os faraós. Era uma de várias divindades que atuavam como o Olho de Rá, a contraparte feminina do deus, possuindo um aspecto vingativo sob essa forma que protegia Rá de seus inimigos. Seu lado benevolente representava música, dança, alegria, amor, sexualidade e cuidado maternal, também tendo agido como consorte de várias divindades e mãe de seus filhos. Estes aspectos de Hator exemplificavam a concepção egípcia da feminilidade. Ela também cruzava as fronteiras entre mundos e ajudava as almas mortas a passarem para o pós-vida.

Hator era frequentemente representada como uma vaca, simbolizando seu aspecto maternal e celestial, porém sua forma mais comum era de uma mulher usando um adereço de cabeça formado por chifres de vaca e um disco solar. Também podia ser representada como leoa, cobra ou uma árvore de plátano. Deusas de gado similares a Hator foram representadas na arte egípcia durante o Período Dinástico Precoce, porém ela só foi aparecer no Reino Antigo. Ela se tornou uma das mais importantes divindades do Antigo Egito a partir do padronado dos governantes do Reino Antigo. Tinha mais templos dedicados ao seu culto do que qualquer outra deusa, com o principal ficando em Dendera no Alto Egito. Também era venerada nos templos de seus consortes. Os egípcios a conectavam com terras estrangeiras como a Núbia e Canaã e suas valiosas mercadorias, com algumas pessoas dessas áreas adotando sua veneração. No Egito era uma das divindades comumente invocadas em orações particulares e ofertas votivas.

Deusas como Mut e Ísis invadiram a posição de Hator na ideologia real durante o Reino Novo, porém ela continuou como uma das divindades mais amplamente cultuadas. Hator foi cada vez mais sobrepujada por Ísis a partir do Terceiro Período Intermediário, principalmente durante o Reino Ptolemaico, quando os novos governantes greco-romanos conectaram suas próprias divindades com as egípcias a fim de solidificar seu poder, combinando os traços de Hator e Afrodite em Ísis para o tratamento de suas rainhas. Hator ainda assim continuou a ser venerada em alguns locais até a extinção da religião egípcia em meados do século IV.


Índice


1Origens

2Papéis

2.1Deusa do céu

2.2Deusa solar

2.3Música, dança e alegria

2.4Pós-vida

3Veneração

3.1Templos

3.2Fora do Egito

4Referências

5Bibliografia

6Ligações externas

Origens


A Paleta de Narmer, c. século XXXI. O rosto de uma mulher com chifres e orelhas de vaca, representando Hator ou Bate, aparece duas vezes no topo e no sinto usado pelo faraó

Imagens de gado apareciam frequentemente na arte do Período Pré-Dinástico (antes de c. 3 100 a.C.), assim como imagens de mulheres com braços curvados e para cima semelhantes ao formato dos chifres bovinos. Ambas podem representar deusas conectadas com o gado. Vacas eram veneradas em muitas culturas, incluindo no Egito, como símbolos de maternidade e nutrição, pois cuidavam de seus bezerros e supriam os humanos com leite. A Paleta de Gerzé, uma paleta de pedra do período Nacada II (c. 3500–3200 a.C.), mostra a silhueta de uma cabeça de vaca com chifres curvados para dentro e cercados por estrelas. Ela sugere que a vaca era relacionada com o céu, assim como várias deusas de períodos posteriores que foram representadas dessa maneira: Hator, Meete-Uerete e Nut.

Hator, apesar desses precedentes, só foi ser mencionada ou representada inequivocamente na Quarta Dinastia (c. 2613–2494 a.C.) do Reino Antigo (c. 2686–2160 a.C.), porém vários artefatos que se referem a ela podem na verdade datar do Período Dinástico Precoce (c. 3100–2686 a.C.). Seus chifres de vaca se curvam para fora, diferentemente de para dentro como aqueles que eram representados no Período Pré-Dinástico, quando Hator claramente aparece. Uma divindade bovina com chifres curvados para dentro aparece na Paleta de Narmer no início do Período Dinástico Precoce, tanto em cima da paleta quanto no cinto usado pela faraó Narmer. O egiptólogo Henry George Fischer sugeriu que essa divindade pode ser Bate, uma deusa que foi depois representada com rosto de mulher e uma antena curvada para dentro, aparentemente refletindo a curvatura dos chifres de vaca. Por outro lado, a egiptóloga Lana Troy identificou uma passagem dos Textos das Pirâmides do fim do Reino Antigo que conecta Hator com as vestes do faraó, reminiscente da deusa no cinto de Narmer, sugerindo então que a divindade representada na Paleta de Narmer é Hator e não Bate.

Hator rapidamente cresceu em proeminência durante a Quarta Dinastia. Ela suplantou um antigo deus crocodilo que era venerado em Dendera no Alto Egito para tornar-se a divindade padroeira da cidade, também rapidamente absorvendo o culto de Bate na região vizinha de Hu, assim as duas deusas se fundiram em uma na época do Reino Médio (c. 2055–1650 a.C.). A teologia ao redor do faraó no Reino Antigo, diferentemente de períodos anteriores, focava-se muito no deus do sol Rá como o rei dos deuses e o padroeiro do rei terreno. Hator ascendeu junto com Rá e tornou-se sua esposa mitológica, assim também a mãe divina do faraó.

Papéis

Hator assumiu muitas formas e apareceu em uma variedade de papéis. O egiptólogo Robyn Gillam sugeriu que essas formas diversas surgiram quando a deusa real, padronada pela corte do Reino Antigo, absorveu muitas deusas locais que eram veneradas pela população comum, que foram então tratadas como suas manifestações. Textos egípcios muitas vezes falavam das manifestações da deusa como "Sete Hatores", ou, menos comum, de muito mais Hatores, chegando até a 362. Sua diversidade refletia as diversas características que os egípcios associavam com o divino. Mais do que qualquer outra divindade, ela exemplificava a percepção egípcia da feminilidade.

Deusa do céu

Hator recebeu os epítetos "senhora do céu" e "senhora das estrelas", dizendo-se que habitava no céu junto com Rá e outros deuses solares. Os egípcios enxergavam o céu como um corpo de água através do qual o sol navegava, ligando-o com as águas a partir das quais o sol emergiu no início dos tempos, de acordo com seus mitos de criação. A deusa mãe cósmica era frequentemente representada como uma vaca. Achava-se que tanto Hator quanto Mehet-Weret eram a vaca que deu à luz o deus do sol e que o colocou entre seus chifres. Dizia-se que Hator, assim como outras divindades celestiais, dava luz ao deus do sol toda alvorada.

Seu nome egípcio era ḥwt-ḥrw ou ḥwt-ḥr, normalmente traduzido como "morada de Hórus", mas também pode ser "minha morada no céu". O deus Hórus representava, entre outras coisas, o sol e o céu. A "morada" pode se referir ao céu em que Hórus vivia, ou o útero da deusa da onde ele, como um deus solar, nascia todos os dias.

Deusa solar

Hator também era uma deusa solar, atuando como uma contraparte feminina para os deuses solares Hórus e Rá, sendo um membro do séquito divino que acompanhava Rá enquanto ele navegava pelo céu em sua barca. Ela era comumente chamada de "A Dourada", fazendo referência ao brilho do sol, com textos de seu templo em Dendera dizendo que "seus raios iluminam toda a terra". Hator muitas vezes se fundia com a deusa Nebetetepete, cujo nome pode significar "Senhora da Oferenda", "Senhora do Contentamento" ou "Senhora da Vulva". Em Heliópolis, o principal centro de culto a Rá, Hator-Nebetetepete era venerada como sua consorte. Rudolf Anthes argumentou que o nome de Hator fazia referência a uma mítica "morada de Hórus" em Heliópolis que estava ligada com a ideologia da realeza.

Ela era uma de muitas deusas que que acabavam assumindo o papel de Olho de Rá, a personificação feminina do disco do sol e, por sua vez, uma extensão do poder do próprio Rá. Ele era algumas vezes representado dentro do disco, que Troy interpretou como significando que os egípcios achavam que deusa do Olho era o ventre da onde o deus solar nasceu. Os papéis aparentemente contraditórios de Hator como mãe, consorte e filha de Rá refletiam o ciclo diário do sol. Ao pôr do sol o deus entrava no corpo da deusa, engravidando-a e sendo o pai das divindades que nasciam de seu útero ao nascer do sol: ele mesmo e a deusa do Olho, que depois daria luz a ele. Rá deu origem a sua filha, a deusa do Olho, que por sua vez deu origem a ele, seu filho, em um ciclo de regeneração constante.

O Olho de Rá protegia o deus solar de seus inimigos e era frequentemente representado como um ureu, uma cobra ou uma leoa. Dizia-se que a forma do Olho conhecida como "Hator das Quatro Faces", representada por um conjunto de quatro cobras, ficava de frente para um dos pontos cardeais para vigiar ameaças contra o deus solar. Um grupo de mitos conhecidos a partir do Reino Novo (c. 1550–1070 a.C.) descreviam o que acontecia quando a deusa do Olho ficava descontrolada. No texto funerário chamado de Livro da Vaca Celestial, Rá envia Hator como o Olho a fim de punir humanos que estava tramando contra o seu domínio. Ela se transforma na deusa leoa Sacmis e massacra os revoltosos, porém Rá impede que ela extermine toda a humanidade. Ele ordena que cerveja seja tingida de vermelho e derramada pela terra. A deusa do Olho bebe, achando que era sangue, ficando em um estado inebriado que lhe permite retornar para a forma linda e benigna de Hator. Relacionado com essa história está o mito da Deusa Distante, que data da Época Baixa (c. 664–332 a.C.) e do Reino Ptolemaico (305–30 a.C.). A deusa do Olho, algumas vezes na forma de Hator, revoltou-se contra o controle de Rá e vagou livremente para uma terra estrangeira: Líbia ao oeste ou Núbia ao sul. Rá, enfraquecido pela perda de seu Olho, enviou outro deus como Tote para fazer com que a deusa retornasse para sua forma benigna. Ela voltou a ser a consorte do deus solar ou do deus enviado atrás dela assim que é pacificada. Esses dois aspectos da deusa do Olho, violenta e perigosa contra linda e alegre, refletiam a crença egípcia que as mulheres "englobavam ambas as paixões extremas de fúria e amor".

Música, dança e alegria

Hator passou a ser associada ao menat, o colar musical turquesa que frequentemente era usado pelas mulheres. Um hino a Hator diz:

Tu és a Senhora do Júbilo, a Rainha da Dança, a Senhora da Música, a Rainha da Harpa, a Senhora da Dança Coral, a Rainha dos Louros, a Senhora da Embriaguez Sem Fim.

Essencialmente, Hator havia se tornado uma deusa da alegria e, como tal, era amada profundamente pela população em geral e reverenciada especialmente pelas mulheres, que aspiravam personificar seu papel multifacetado de mãe, esposa e amante. Nesta condição, ela conquistou os títulos de Senhora da Casa do Júbilo e Aquela que Preenche o Santuário com Alegria. O culto a Hator era tão popular que diversos festivais eram dedicados à sua honra - mais do que qualquer outra divindade egípcia - e mais crianças recebiam o seu nome do que qualquer outra divindade. Até mesmo o sacerdócio de Hator era incomum, na medida em que tanto homens quanto mulheres podiam se tornar seus sacerdotes.

Pós-vida

A identidade de Hator como uma vaca, talvez ilustrada como tal na Paleta de Narmer, significava que ela passou a ser identificada com outra deusa-vaca antiga da fertilidade, Bate. Os egiptólogos, no entanto, ainda não sabem responder o porquê de Bate ter sobrevivido como uma deusa independente por tanto tempo; ela estava, de certa maneira, ligada ao Ba, um aspecto da alma, e assim Hator acabou ganhando uma ligação com a vida após a morte. Dizia-se que, com seu caráter maternal, Hator recebia as almas dos mortos no Duat, e lhes fornecia comida e bebida. Também era descrita às vezes como senhora da necrópole. A assimilação de Bate, que estava associada ao sistro, um instrumento musical, também lhe trouxe uma associação com a música. Nesta forma posterior, o culto a Hator passou a ser centrado em Dendera, no Alto Egito, onde era conduzido por sacerdotisas e sacerdotes que também eram dançarinos, cantores e artistas.

Veneração

Templos


Templo de Dendera, mostrando Hator nos capiteis de uma coluna

Como o culto a Hator se desenvolveu a partir dos cultos pré-históricos de adoração à vaca, não é possível se afirmar de maneira conclusiva onde sua veneração ocorreu pela primeira vez. Dendera, no Alto Egito, era um sítio arcaico importante onde ela era cultuada como "Senhora de Dendera". Do Reino Antigo em diante ela passou a ser cultuada em Meir e Cusas, com a região de Giza-Sacará sendo o seu principal centro de devoção. No início do primeiro período intermediário Dendera parece ter se tornado o principal sítio de seu culto, onde ela era considerada mãe e consorte de "Hórus de Edfu". Deir Elbari, na margem ocidental do Nilo, em Tebas, também era um sítio importante de veneração a Hator, desenvolvido a partir de um culto pré-existente à vaca.

Templos (e capelas) dedicadas a Hator):

Templo de Hator e Maat, em Deir Almedina, margem ocidental, Luxor;

Templo de Hator na ilha de Filas, Assuã;

Capela de Hator no Templo Mortuário de Hatexepsute. Margem ocidental, Luxor.

Fora do Egito

Hator foi venerada em Canaã no século XI a.C., que à época era governada pelo Egito, na cidade sagrada de Hazor, ou Tel Hazor, que segundo o Antigo Testamento teria sido destruída por Josué (Livro de Josué, 11:13, 21).

Um dos principais templos de Hator foi construído por Seti II nas minas de cobre de Timna, na Seir edomita. Serabit el-Khadim (em árabe: سرابت الخادم, Serabit al-Khadim ou Serabit el-Khadem) é um local no sudoeste na península do Sinai, onde havia extensa mineração de turquesa durante a Antiguidade. As escavações arqueológicas, realizadas inicialmente por Sir Flinders Petrie, revelaram os antigos campos de mineração e um Templo de Hator que teria existido ali por muito tempo. Os gregos, que se tornaram soberanos do Egito por trezentos anos, antes da dominação romana em 31 a.C., também cultuaram Hator e a associavam com sua própria deusa do amor e beleza, Afrodite (como os romanos fizeram com Vênus).

Deus Hórus

Hórus (ou Heru-sa-Aset, Her'ur, Hrw, Hr, Hor-Hekenu ou Ra-Hoor-Khuit) é o deus dos céus e dos vivos, muito embora sua concepção tenha ocorrido após a morte de Osíris.[carece de fontes] Hórus era filho de Osíris e de Ísis.

Tinha cabeça de falcão e os olhos representavam o Sol e a Lua. Matou Set, tanto por vingança pela morte do pai, Osíris, como pela disputa do comando do Egito[carece de fontes].

Após derrotar Set, tornou-se o rei dos vivos no Egito. Perdeu um olho lutando com Set, que foi substituído por um amuleto de serpente, (que os faraós passaram a usar na frente das coroas), o olho de Hórus, (anteriormente chamado de Olho de Rá), que simbolizava o poder real.[carece de fontes] Depois da recuperação, Hórus pôde organizar novos combates que o levaram à vitória decisiva sobre Set.

O olho que Hórus feriu (o olho esquerdo) é o olho da Lua, o outro é o olho do Sol. Esta é uma explicação dos egípcios para as fases da lua, que seria o olho ferido de Hórus.

Alguns detalhes do personagem foram alterados ou mesclados com outros personagens ao longo das várias dinastias, seitas e religiões egípcias. Por exemplo, quando Heru (Hórus) se funde com Rá O deus Sol, ele se torna Ra-Horakhty. O olho de Hórus egípcio tornou-se um importante símbolo de poder chamado de Wedjat, que além de proporcionar poder afastava o mau-olhado, pois segundo os egípcios os olhos eram os espelhos da alma. Conta-se que Hórus ao reencarnar seu aspecto em um novo corpo, (cujo epíteto usado para isso seria "filho de Hórus" como bem usados por alguns faraós na história para alegar sua divindade) porém essa reencarnação em especial traria consigo a marca do olho de Hórus, (wedjat) que, em alguma parte do seu novo corpo e marcas em seu olho esquerdo, o fez ser reconhecido pelos sacerdotes/semideuses antigos (Shemsum Hor) (Que, segundo escritos, seriam intermediários entre os humanos e os deuses sendo eles mesmos semideuses) que levaria em conta outras demais características físicas para reconhecer a veracidade da sua reencarnação, como sinais ou marcas que representariam literalmente marcas da luta de Hórus com Set.

A Concepção de Hórus

De acordo com uma lenda difundida no Antigo Egito, Hórus foi concebido por Isis, quando Osíris, seu pai, já estava morto. A lenda sugere que a fecundação ocorreu quando Isis, na forma de um pássaro, pousou sobre a múmia do esposo, que estava deitado em um sofá.

Uma estela datada de 1400 a.C. (hoje guardada no Museu do Louvre), contem este hino sobre o tema:

Oh benevolente Ísis

que protegeu o seu irmão Osíris,

que procurou por ele incansavelmente,

que atravessou o país enlutada,

e nunca descansou antes de tê-lo encontrado.

Ela, que lhe proporcionou sombra com suas calças

e lhe deu ar com suas penas,

que se alegrou e levou o seu irmão para casa

Ela, que reviveu o que, para o desesperançado, estava morto,

que recebeu a sua semente e concebeu um herdeiro,

e que o alimentou na solidão,

enquanto ninguém sabia quem era...

Hórus foi o Deus solar e o redentor do egípcios.

Hórus e o cristianismo

Ver artigo principal: Jesus na mitologia comparada#Egito Antigo

Hórus é a segunda pessoa da divina família egípcia, composta por Osíris, o pai, Hórus, o filho e Ísis, a mãe.

Alguns autores sugerem que a história de Jesus pode ter sido baseada em várias outras histórias de deuses mais antigos, principalmente, Hórus. Em suas mãos Hórus carrega as chaves da vida da morte e da fertilidade. O primeiro filme da série Zeitgeist, o documentário O Deus que Não Estava Lá e o filme de Bill Maher, Religulous, expõem a ideia de que a história de Jesus seria uma cópia da história de Hórus. Contudo há controvérsias quanto ao documentário Zeitgeist. Embora existam estudiosos desconsiderem essas alegações:

Os cristãos acreditam que Virgem Maria teve a concepção de Jesus através de ação do Espírito Santo, permanecendo segundo a Tradição da Igreja sempre Virgem. Já Hórus, segundo a mitologia egípcia, era filho de Isis com Osíris, onde Hórus teria nascido depois que sua mãe ter feito um pênis com a mão, por não ter encontrado essa parte do corpo do falecido. A alegação que Jesus e Osíris tenham nascido ambos em 25 de dezembro também não se sustentam, primeiro não existem citações bíblicas evidências ou históricas do nascimento de Jesus nesta data e Hórus, segundo a teoria mais aceita teria nascido durante o mês de Khoiak (outubro/novembro).

Diferente de algumas alegações, o nascimento de Hórus não foi anunciado por nenhuma estrela no Oriente. Outro ponto de destaque é que Hórus nunca chegou a sair do Egito (até porque lá seria o seu país natal), diferente de Jesus, que segundo os evangelhos foi ao Egito e depois retornou a Israel. Outro mito é que Hórus foi batizado por Anup, contudo, não existem referências a tal personagem, bem como não havia o costume do batismo nas águas no Egito antigo. Outras comparações já desmitificadas são as alegações de Hórus ter tido o mesmo número de seguidores que Jesus; ter andado sobre as águas e teria ressuscitado El-Azur-U, ter tido títulos iguais e ter sido crucificado, contudo, nenhum dos eventos relacionados na escatologia cristã tenham ocorrido com Hórus na mitologia egípcia.


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Deus Thoth

Tote (em grego clássico: Θώθ; romaniz.: Thóth; ou Djeuti em egípcio: Dḥwtj) é um deus egípcio do conhecimento, da sabedoria, da escrita, da música e da magia. Na arte, era geralmente retratado com a cabeça de íbis ou babuíno, animais consagrados a ele. Sua contraparte feminina era Sexate, e sua esposa era Maat.

Deusa Ísis

Ísis (em egípcio: Aset; em grego clássico: Ἶσις) foi uma das principais divindades na religião do Antigo Egito cuja veneração espalhou-se também para o mundo greco-romano. Ela foi mencionada pela primeira vez no Império Antigo como uma das personagens principais do mito de Osíris, em que ressuscita seu marido, o rei Osíris, e produz e protege seu herdeiro, Hórus. Acreditava-se que Ísis ajudava os mortos a entrarem no pós-vida da mesma forma que tinha feito com Osíris, também sendo considerada como a mãe divina do faraó, que por sua vez estava ligado a Hórus. Seu auxílio materno era invocado em feitiços de cura para beneficiarem o povo comum. Ela originalmente desempenhou um papel limitado em rituais reais e templos, porém era mais proeminente em práticas funerárias e textos mágicos. Ísis era retratada artisticamente como uma mulher humana usando um hieroglifo no formato de trono em sua cabeça. Ela assumiu no Império Novo os traços que originalmente pertenciam a Hator, a deusa mais importante durante o período antigo, passando assim a ser retratada usando a touca de Hator: um disco solar entre os chifres de uma vaca.

Osíris e Ísis tornaram-se as divindades mais veneradas dentre o panteão egípcio durante o Terceiro Período Intermediário, com ela absorvendo várias características de outras deusas. Governantes tanto do Egito quanto de sua vizinha Núbia ao sul começaram a construir templos dedicados principalmente a Ísis, com seu templo em Filas tornando-se um grande centro religioso para ambos egípcios e núbios. O poder mágico atribuído a ela era maior que o de todos os outros deuses, sendo dito que Ísis protegia o reino de seus inimigos, governava os céus e o mundo natural e até mesmo tinha poder sobre o próprio destino.

Durante o Reino Ptolemaico, quando o Egito foi governado e colonizado por gregos, Ísis passou a ser venerada pelos egípcios e gregos junto com um novo deus, Serápis. Esta adoração espalhou-se pelo mundo Mediterrâneo. Os devotos gregos lhe atribuíam características tiradas de deuses gregos, como intervenção no casamento e a proteção das embarcações nos mares, também mantendo ligações fortes com o Egito e outras divindades egípcias que eram populares no mundo helenístico, como Osíris e Harpócrates. A cultura helenística foi absorvida por Roma no século I a.C. e o culto a Ísis tornou-se parte da religião romana. Seus devotos eram pequenos em proporção dentro da população do Império Romano, porém eram encontrados por todo seu território. Seu culto desenvolveu festivais distintos como o Navigium Isidis, além de cerimônias de iniciação semelhantes a cultos de mistério greco-romanos. Alguns de seus seguidores afirmavam que ela reunia todos os poderes divinos femininos do mundo.

A veneração a Ísis acabou com a ascensão do cristianismo no decorrer dos séculos IV e V. É possível que sua adoração tenha influenciado algumas práticas e crenças do cristianismo, como por exemplo a veneração de Maria, porém as evidências para isso são ambíguas e frequentemente controversas. Ísis continua a aparecer na cultura ocidental, particularmente no esoterismo e neopaganismo, frequentemente como a personificação da natureza ou como o aspecto feminino do divino.


Índice


1Egito e Núbia

1.1Nome e origens

1.2Papéis

1.2.1Esposa e pranteadora

1.2.2Mãe

1.2.3Realeza e proteção

1.2.4Magia e sabedoria

1.2.5Céu

1.2.6Universo

1.3Iconografia

1.4Veneração

1.4.1Relação com a realeza

1.4.2Templos e festivais

1.4.3Ritos funerários

1.4.4Culto popular

2Mundo greco-romano

2.1Difusão

2.2Papéis

2.3Relações com outros deuses

2.4Iconografia

2.5Veneração

2.5.1Devotos e sacerdotes

2.5.2Templos e ritos

2.5.3Culto particular

2.5.4Iniciação

2.5.5Festivais

3Influência no cristianismo

4Influência em outras culturas

5Notas

6Referências

7Bibliografia

8Ligações externas

Egito e Núbia

Nome e origens

Enquanto algumas divindades egípcias apareceram no final do Período Pré-Dinástico (antes de c. 3 100 a.C.), tanto Ísis quanto seu marido Osíris não foram mencionados claramente até a Quinta Dinastia (c. 2494–2 345 a.C.). Uma inscrição que talvez se refira a Ísis é datada para o reinado do faraó Raturés, com ela aparecendo proeminentemente nos Textos das Pirâmides, que começaram a ser escritos no final da Quinta Dinastia e cujo conteúdo pode ter sido desenvolvido tempos antes. Várias passagens dos textos conectam Ísis com a região do Delta do Nilo perto de Behbeit el-Hagar e Sebénito, com ela e seu culto possivelmente se originando lá.

Muitos acadêmicos focaram-se no nome de Ísis em uma tentativa de determinar suas origens. Seu nome egípcio era ꜣst ou Aset, que deu origem a forma copta ⲎⲤⲈ (Ēse) e seu nome grego Ἰσις (Ísis), do qual seu nome moderno é baseado. O nome em hieroglifo incorpora o sinal de um trono, que ela também usa em sua cabeça como sinal de sua identidade. O símbolo serve como fonograma, grafando o som st, porém é possível que tenha representado uma ligação com tronos reais. O termo egípcio para trono também era st e talvez compartilhe uma etimologia em comum. Dessa forma, o egiptólogo Kurt Sethe sugeriu que ela originalmente era uma personificação de tronos. Henri Frankfort concordava, acreditando que o trono era considerado a mãe do faraó e assim um deus, devido seu poder de transformar homem em faraó. Já os acadêmicos Jürgen Osing e Klaus P. Kuhlmann discordaram por causa de dissimilaridades entre o nome de Ísis e a palavra para trono e a falta de evidências de que o trono já foi deificado.

Papéis

O mito sobre a morte e ressurreição de Osíris foi relatado pela primeira vez nos Textos da Pirâmides e cresceu até se tornar o mais elaborado e influente de todos os mitos egípcios. Ísis desempenha um papel mais ativo nesse mito do que os outros protagonistas, tornando-se dessa forma o personagem literário mais complexo de todas as divindades egípcias enquanto a história desenvolvia-se na literatura desde o Império Novo (c. 1550–1070 a.C.) até o Reino Ptolemaico (305–30 a.C.). Ao mesmo tempo, ela absorveu as características de muitas outras deusas, ampliando sua significância para além do mito de Osíris.

Esposa e pranteadora


Escultura de uma mulher, possivelmente Ísis, em posição de luto, c. séculos XV ou XIV a.C.

Ísis fazia parte da Enéade, uma família de nove deuses descendentes do deus criador: Atum ou Rá. Ela e seus irmãos – Osíris, Seti e Néftis – eram a última geração da Enéade, nascidos de Geb, deus da terra, e Nut, deusa do céu. O deus criador, o governante original do mundo, passou sua autoridade através das gerações masculinas, assim Osíris tornou-se rei. Ísis, esposa e irmã de Osíris, era sua rainha.

Seti matou Osíris e, em várias versões, desmembrou seu corpo. Ísis e Néftis, junto com outras divindades como Anúbis, procuraram pelas partes do corpo de seu irmão e o remontou. Seus esforços foram o protótipo mítico da mumificação e outras antigas práticas funerárias egípcias. Segundo alguns textos, elas também tiveram de proteger o corpo de Osíris de mais dessacrações nas mãos de Seti ou de seus servos. Ísis era a epítome da viúva em luto. O amor e luto dela e de Néftis pelo irmão ajudaram a restaurá-lo a vida, assim como a recitação de feitiços mágicos. Textos funerários continham discursos de Ísis em que expressava sua dor pela morte de Osíris, seu desejo sexual por ele e até mesmo raiva por ele tê-la deixado. Todas essas emoções desempenharam papéis em sua ressuscitação, já que tinham a intenção de estimulá-lo a agir. Ela finalmente conseguiu restaurar a vida do corpo de Osíris e copulou com ele logo em seguida, concebendo seu filho Hórus. Osíris, deste momento em diante, passou a viver apenas no Tuat, o submundo. Entretanto, Ísis conseguiu garantir que seu marido iria sobreviver no pós-vida por ter lhe dado um herdeiro que iria vingar sua morte e realizar ritos funerários.

O papel de Ísis nas crenças do pós-vida era baseado no mito. Ela ajudava a restaurar as almas dos mortos a completude da mesma forma como havia feito com Osíris. Assim como outras deusas, como Hator, ela também atuava como mãe dos mortos, proporcionando proteção e nutrição. De acordo, Ísis algumas vezes assumia a forma de Amentent, a deusa do ocidente, que adotava a alma morta no pós-vida como seu filho. Durante boa parte da história egípcia, acreditava-se que divindades masculinas como Osíris possuíam poderes regenerativos, incluindo potência sexual, que eram cruciais no renascimento. Achava-se que Ísis apenas tinha ajudado ao estimular esses poderes. Poderes divinos femininos tornaram-se mais importantes na crença do pós-vida no final do Império Novo. Vários textos funerários ptolemaicos enfatizavam que Ísis assumiu um papel ativo na concepção de Hórus ao estimular seu marido sexualmente, com decorações de tumba do período romano a representando em um papel central, enquanto um texto funerário da época sugeria que mulheres eram capazes de juntar-se ao séquito de Ísis e Néftis no pós-vida.

Mãe


Estátua de Ísis cuidado de Hórus, c. século VII a.C.

Ísis foi tratada como a mãe de Hórus até mesmo nas cópias mais antigos dos Textos da Pirâmides. Mesmo assim, há sinais que Hator originalmente era considerada sua mãe, enquanto algumas outras tradições fazem uma forma velha de Hórus ser o filho de Nut e irmão de Osíris e Ísis. É possível que ela tenha tornado-se a mãe de Hórus a medida que o mito de Osíris tomava forma durante o Império Antigo, enquanto sua relação com ele passou a ser vista como a epítome da devoção maternal.

Ela deu à luz Hórus na forma desenvolvida do mito, logo após uma gravidez longa e trabalho de parto difícil, nas moitas de papiro no Delta do Nilo. Ísis o protegeu de Seti e outros perigos à medida que ele crescia. Ela viajava entre os humanos em alguns textos e procurava a ajuda deles. Segundo uma dessas histórias, sete divindades escorpiões menores viajavam junto de Ísis para protegê-la. Eles se vingaram de uma mulher rica que recusou ajudar a deusa ao aferroarem o filho dela, fazendo com que fosse necessário que Ísis curasse a criança. Sua reputação como divindade compassiva, disposta a aliviar o sofrimento humano, muito contribuíram para seu apelo entre o povo.

Ísis continuou a ajudar Hórus quando ele foi desafiar Seti para reivindicar o trono que este havia usurpado de Osíris, porém mãe e filho foram retratados algumas vezes em conflito, como por exemplo da vez que Hórus a decapitou e Ísis substituiu sua cabeça original por uma de uma vaca – um mito fundador para o adereço de vaca que Ísis usava na cabeça.

O aspecto maternal de Ísis estendia-se para outras divindades. Os Textos dos Sarcófagos do Império Médio (c. 2055–1650 a.C.) diziam que os Filhos de Hórus, divindades funerárias que protegiam os órgãos internos dos mortos, eram a prole de Ísis com a forma velha de Hórus. Na mesma era, Hórus foi sincretizado com Min, o deus da fertilidade, assim ela foi considerada a mãe de Min. Foi dito que uma forma de Min conhecida como Kamutef, "touro de sua mãe", que representava a regeneração cíclica dos deuses e realeza, engravidou sua mãe para gerar si mesmo. Assim, Ísis também era considerada a consorte de Min. A mesma ideologia de realeza pode ser a base de uma tradição, encontrada em alguns textos, de que Hórus estuprou Ísis. Ámon, a principal divindade durante os Impérios Novo e Médio, também assumiu o papel de Kamutef e Ísis muitas vezes atuou como sua consorte quando ele estava nessa forma. Era dito que Ápis, um touro venerado como um deus vivo em Mênfis, também era filho de Ísis com uma forma de Osíris conhecida como Osíris-Ápis. A mãe de cada touro Ápis era conhecida como "vaca Ísis".

Uma história no Papiro Westcar datado do Império Médio incluiu Ísis entre um grupo de deusas que serviram de parteiras durante os nascimentos de três futuros reis. Ela serviu em um papel similar em textos do Império Novo que descreviam os nascimentos dos faraós como sendo ordenados divinamente. Ísis chamou pelo nome as três crianças que nasceram na história do Papiro Westcar. Barbara S. Lesko enxerga essa narrativa como um sinal que a deusa tinha o poder de prever ou influenciar eventos futuros, assim como outras divindades que presenciavam nascimentos, como Shai e Renenutete. Textos de tempos posteriores chamaram Ísis explicitamente de "senhora da vida, governante do fado e destino", indicando também que ela exercia controle sobre Shai e Renenutete, da mesma forma como era dito que outros grandes deuses como Ámon faziam em épocas antigas da história egípcia. Ísis, ao controlar essas divindades, determinava a duração e qualidade das vidas humanas.

Realeza e proteção


Alto relevo de Ísis com o faraó Seti I no colo, c. século XIII a.C.

Hórus era igualado a cada faraó vivo enquanto Osíris por sua vez era igualado com os predecessores mortos do faraó. Ísis era assim a mãe e a esposa mitológica dos faraós. Sua importância primária nos Textos das Pirâmides para o faraó era como uma das divindades que o protegiam e o auxiliavam no pós-vida. Sua proeminência na ideologia real cresceu no decorrer do Império Novo. Relevos em templos da época mostravam o faraó mamando do seio de Ísis; seu leite não apenas curava a criança, mas também simbolizava seu direito divino para reinar. A ideologia real passou cada vez mais a enfatizar a importância das rainhas como contrapartes terrenas das deusas que atuavam como esposas do faraó e mães de seus herdeiros. Hator era inicialmente a mais importante dessas divindades, uma contraparte feminina para Rá e Hórus, cujos atributos na arte eram incorporados nas coroas das rainhas. Entretanto, devido sua própria conexão mitológica com a realeza feminina, Ísis também recebeu os mesmos títulos e regalias que as rainhas humanas.

As ações de Ísis ao proteger Seti tornaram-se parte de um aspecto mais amplo e belicoso. Textos funerários do Império Novo a retratam na barca de Rá enquanto navegam para o submundo, atuando como uma de várias divindades que subjugam Apep, o arqui-inimigo de Rá. Os faraós também invocavam o poder mágico protetor dela contra seus inimigos humanos. No templo de Filas, que ficava perto da fronteira dos povos núbios que costumavam invadir o Egito, Ísis foi descrita como a protetora de toda a nação, sendo mais eficiente em batalha do que "milhões de soldados", apoiando os faraós ptolemaicos e imperadores romanos em seus esforços para subjugar os inimigos do Egito.

Magia e sabedoria

Ísis também era conhecida por sua esperteza e também por seu poder mágico, o que permitiu que ela revivesse Osíris e protegesse e curasse Hórus. Foi dito que, por virtude de seu conhecimento mágico, ela era "mais inteligente que um milhão de deuses". Ísis usou suas habilidades para passar a perna em Seti em vários episódios da história "As Disputas de Hórus e Set" do Império Novo. Em certa ocasião, ela se transformou em uma jovem mulher que disse a Seti que estava envolvida em uma disputa de herança similar a usurpação da coroa de Osíris. Quando Seti afirmou que a situação da mulher era injusta, Ísis zombou dele afirmando que ele tinha acabado de julgar-se como o errado. Ela usou seus poderes de transformação em textos posteriores para lutar e destruir Seti e seus seguidores.

Muitas das histórias sobre Ísis apareceram como prólogos de textos mágicos que descreviam eventos míticos relacionados com o objetivo que o feitiço queria realizar. Em um deles, Ísis criou uma cobra que picou Rá, que era mais velho e mais poderoso, fazendo-o ficar doente. Ela se ofereceu para curar Rá caso ele lhe contasse seu nome verdadeiro e secreto – uma informação que carregava consigo poder incomparável. Rá contou seu nome depois de muita coerção, informação que ela repassou a Hórus, o que aumentou a autoridade real deste. É possível que essa história tenha servido de origem para explicar o motivo dos poderes mágicos de Ísis superarem os de outros deuses, porém, como a narrativa mostra ela usando magia para subjugar Rá, esse conto parece indicar que ela tinha tais habilidades antes mesmo de descobrir o nome dele.

Céu

Muitos dos papéis que Ísis adquiriu lhe deram uma importante posição no céu. Passagens dos Textos das Pirâmides a conectam com Sótis, a deusa que representava a estrela Sirius, cuja relação com seu marido Sah, a constelação de Órion, e seu filho Sopdu, fazia paralelo com as relações de Ísis com Osíris e Hórus. O nascer helíaco de Sirius, que ocorria pouco antes das cheias do Nilo, davam a Sótis uma ligação próxima com a cheia e consequentemente o crescimento das plantações. Ísis, parcialmente devido sua conexão com Sótis, também tinha uma ligação com as cheias, que algumas vezes eram igualadas com as lágrimas que ela derramou por Osíris. Ela estava ligada a chuva no período ptolemaico, que textos egípcios chamavam de "Nilo no Céu", também estava conectada ao Sol como protetora da barca de Rá, e também com a Lua, possivelmente porque Ísis tinha uma conexão com a deusa lunar grega Ártemis através de uma ligação em comum com Bastet, a deusa da fertilidade egípcia. Hinos inscritos em Filas a descrevem como "Senhora do Céu", cujo domínio sobre os céus faziam paralelos com Osíris reinando o Tuat e Hórus governando a terra.Universo

A esfera de influência de Ísis chegou a incluir todo o cosmos na época ptolemaica. Ela tinha poder sobre todas as nações como a divindade que protegia o Egito e sancionava seu faraó, e como a provedora das chuvas ela avivava o mundo natural. Um dos hinos em Filas inicialmente a chamava de governante dos céus até expandir sua autoridade, com seu ápice sendo um domínio que englobava o céu, a terra e o Tuat. Dizia-se que seu poder sobre a natureza sustentava humanos, mortos abençoados e deuses. Outros hinos em grego antigo do Reino Ptolemaico lhe chamavam de "a linda essência de todos os deuses". Várias divindades, grandes e pequenas, já foram descritas em termos similarmente grandiosos no decorrer da história egípcia. Ámon era comumente referido dessa forma no Império Novo, enquanto esses termos tendiam a serem aplicados a Ísis no Egito romano. Tais textos não negavam a existência de outros deuses, porém os tratavam como aspectos de uma divindade suprema.

Nos tempos ptolemaicos e romanos, muitos templos continham um mito de criação que adaptava antigas ideias sobre criação a fim de darem funções primárias para divindades locais. Ísis era descrita em Filas como a criadora, da mesma maneira como textos antigos falavam sobre as obras do deus Ptá, que dizia-se que tinha projetado o mundo com seu intelecto e esculpido-o para a existência. Como ele, Ísis formou o cosmos "através do que seu coração concebeu e suas mãos criaram".

Ísis tinha muitas formas em seus centros individuais de culto, assim como outros deuses no decorrer da história egípcia, com cada centro enfatizando aspectos diferentes de sua personalidade. Cultos locais focavam-se nos traços distintos de sua divindade em vez de sua universalidade, enquanto alguns hinos a ela tratavam de outras deusas por todo o Egito e Mediterrâneo como manifestações de Ísis. Um texto no templo de Dendera dizia "em cada nomo é ela que está em toda cidade, em todo nomo com seu filho Hórus".

Iconografia


Ísis com os chifres de vaca e glifo de trono. Templo de Calabexa, c. século I a.C. ou I d.C.

Ísis era comumente representada na arte egípcia como uma mulher usando um vestido de bainha, um cajado de papiro em uma mão e um símbolo de ankh na outra. Seu adereço de cabeça original era o símbolo de trono usado em seu nome escrito. Ela e Néftis apareciam frequentemente juntas, particularmente ao lamentarem a morte de Osíris, apoiando em seu trono ou protegendo os sarcófagos dos mortos. Nessas situações, seus braços muitas vezes estavam sobre seus rostos em luto, ou ainda abertos ao redor de Osíris ou do morto em um sinal de seus papéis de protetoras. Nessas circunstâncias as duas eram representadas frequentemente como milhafres ou mulheres com asas de milhafre. Esta forma pode ter sido inspirada pela similaridades dos gritos dos milhares com o choro de mulheres gemendo, ou ainda como metáfora conectando a procura dos milhafres por caniça com a procura das deusas por seu irmão morto. Ísis algumas vezes aparecia na forma de outros animais: uma porca, representando seu lado maternal; uma vaca, particularmente quando conectada com Ápis; ou ainda como escorpião. Ela também assumia a forma de uma árvore ou de uma mulher surgindo de uma árvore, algumas vezes oferecendo comida e água para as almas mortas. Esta forma fazia referência ao sustento materno que proporcionava.

A partir do Império Novo, devido às ligações próximas entre Ísis e Hator, a primeira passou a assumir atributos da segunda, como o chocalho de sistro e o adereço de cabeça com os chifres de vaca cercando um disco solar. Algumas vezes seus dois adereços de cabeça eram combinados, com o glifo de trono ficando no topo do disco solar. Ela começou no mesmo período a usar as insígnias de uma rainha humana, como uma coroa em formato de abutre na cabeça e um ureu real em sua testa. Estátuas e estatuetas dos tempos ptolemaico e romano frequentemente mostravam Ísis no estilo de escultura grega, com atributos tirados das tradições egípcias e gregas. Algumas dessas imagens refletiam sua conexão com outras deusas de novos modos. Ísis-Termute, uma combinação dela com Renenutete para representar a fertilidade na agricultura, era representada no estilo de uma mulher com o corpo inferior de uma cobra. Estatuetas de uma mulher com um adereço de cabeça elaborado e expondo seus genitais pode representar Ísis-Afrodite.

O símbolo de tyet, uma forma circular similar ao ankh, era visto como o emblema pessoal de Ísis a partir de pelo menos o começo do Império Novo, apesar de existir desde muito tempo antes. Era frequentemente feito de jaspe vermelha e tinha ligação com o sangue da deusa. Era usado como amuleto funerário e dizia-se que proporcionava proteção.

Veneração

Relação com a realeza

Ísis originalmente era uma divindade menor na ideologia acerca do rei vivo, mesmo com toda sua importância no enredo do mito de Osíris. Por exemplo, ela desempenhava uma função pequena no Papiro Ramesseum, a escritura dos ritos de coroação realizados na ocasião da ascensão do faraó Sesóstris I do Império Médio. Sua importância cresceu no Império Novo, quando foi cada vez mais conectada com Hator e com a rainha consorte humana.

O primeiro milênio a.C. viu uma ênfase cada vez maior na tríade familiar de Osíris, Ísis e Hórus, além de uma explosão no crescimento da popularidade de Ísis. No século IV a.C., o faraó Nectanebo I da Trigésima Dinastia reivindicou Ísis como sua divindade padroeira, conectando-a ainda mais com o poder político. O Reino de Cuxe, que governou a Núbia do século VIII ao IV a.C., absorveu e adaptou a ideologia egípcia que cercava a realeza. Ele igualou a deusa a Candace, a rainha ou rainha-mãe do rei.

Os faraós ptolemaicos desenvolveram uma ideologia que conectava os deuses egípcios e gregos com o objetivo de fortalecer suas reivindicações ao trono nos olhos de seus súditos gregos e egípcios. Desde séculos antes, colonos gregos e visitantes traçaram paralelos entre as divindades do Egito e as suas próprias, um processo conhecido como interpretatio graeca. Heródoto, historiador grego do século V a.C., conectou Ísis com Deméter, cuja busca por sua filha Perséfone lembrava a procura de Ísis por Osíris. Deméter foi uma das poucas divindades gregas amplamente adotadas pelos egípcios na época ptolemaica, assim as similaridades dela com Ísis mostraram-se uma ligação entre as duas culturas. Em outros casos, Ísis era ligada a Afrodite através dos aspectos sexuais de sua personagem. Ptolemeu I Sóter e Ptolemeu II Filadelfo, os dois primeiros faraós ptolemaicos, construíram sobre essas tradições e promoveram a veneração de um novo deus chamado Serápis, que combinava aspectos de Osíris e Ápis com aqueles de deuses gregos como Zeus e Dionísio. Ísis, retratada de forma helenizada, era considerada a consorte de Serápis e também de Osíris. Ptolemeu II e sua irmã Arsínoe II desenvolveram um culto ao governante ao redor de si mesmos, assim passaram a ser venerados nos mesmos templos de Serápis e Ísis, com Arsínoe sendo ligada tanto a deusa egípcia quanto a Afrodite. Algumas das rainhas ptolemaicas posteriores identificaram-se de forma ainda mais próxima com Ísis. Cleópatra III do século II a.C. usava o nome da deusa no lugar do seu próprio em inscrições, enquanto Cleópatra VII Filópator, a última governante do Egito antes da anexação romana, usava o epíteto "a nova Ísis".

Templos e festivais


O templo de Ísis em Filas

O culto a Ísis tinha ligações próximas com o de divindades masculinas como Osíris, Min e Ámon até por volta do final do Império Novo. Ela era comumente venerada ao lado deles como sua mãe ou consorte, sendo especialmente cultuada como a mãe das várias formas locais de Hórus. Mesmo assim, ela tinha seus próprios sacerdócios individuais em alguns locais, com pelo menos um templo próprio em Abidos, um centro de culto a Osíris, durante a parte posterior do Império Novo.

Os primeiros grande templos conhecidos dedicados exclusivamente a Ísis foram o Iseion em Behbeit el-Hagar no norte do Egito e em Filas no extremo sul. Ambos começaram a ser construídos durante a Trigésima Dinastia e completados ou expandidos pelos faraós ptolemaicos. Graças a grande fama de Ísis, Filas atraia peregrinos vindos de todo o Mediterrâneo. Muitos outros templos dedicados a deusa surgiram no período ptolemaico, indo desde Alexandria e Canopo na costa mediterrânea até a fronteira com a Núbia. Uma série de templos ficava nesta última região, espalhando-se de Filas no sul até Maarraca, sendo locais de veneração tanto para egípcios quanto para os vários povos núbios. Os núbios de Cuxe construíram seus próprios templos para Ísis em locais bem ao sul como Wad ban Naqa, incluindo um em sua capital Meroé.O rito templário mais frequente para qualquer divindade era as oferendas diárias, em que sacerdotes vestiam o ídolo da divindade e lhe ofereciam comida. Templos a Ísis na época romana foram construídos no estilo egípcio, em que o ídolo ficava em um santuário isolado acessível apenas aos sacerdotes, e no estilo greco-romano, em que os devotos podiam ver o ídolo. Mesmo assim, as culturas egípcia e grega eram altamente misturadas nessa época e talvez não existisse uma separação étnica entre os adoradores de Ísis. As mesmas pessoas possivelmente rezavam para a deusa do lado de fora dos templos egípcios e também em frente de sua estátua no templos gregos.

Os templos também celebravam festivais, tanto nacionais quanto locais. Uma série elaborada de rituais eram realizadas por todo o Egito para Osíris durante o mês de choiak, com Ísis e Néftis sendo proeminentes nesse rituais até pelo menos o Império Novo. Nos tempos ptolemaicos, duas mulheres interpretavam os papéis das deusas durante o choiak, cantando ou lamentando pelo irmão morto. Seus cantos foram preservados nas Canções de Festivais de Ísis e Néftis e Lamentações de Ísis e Néftis.

Ísis acabou por desenvolver seus próprios festivais. Nos tempos romanos, egípcios de todo o país celebravam seu aniversário, a Amesísia, carregando o ídolo local da deusa pelos campos, provavelmente celebrando seus poderes de fertilidade. Os sacerdotes em Filas realizavam um festival a cada dez dias quando o ídolo de Ísis era levado para a ilha vizinha de Bigeh, onde dizia-se que estava localizado o local de enterro de Osíris, com os sacerdotes fazendo os ritos funerários para o deus. O ídolo também visitava templos próximos ao sul, mesmo durante os últimos séculos de atividade em Filas, quando esses templos eram administrados por núbios fora do controle romano.

O cristianismo tornou-se, durante os séculos IV e V d.C., a religião predominante no Império Romano, incluindo o Egito. Os cultos em templos egípcios morreram gradualmente e em diferentes épocas devido uma combinação de falta de dinheiro e hostilidade dos cristãos. O templo de Ísis em Filas, graças aos seus adoradores núbios, conseguiu manter um sacerdócio organizado e festivais regulares até pelo menos a metade do século V, fazendo dele o último templo em funcionamento do Egito.

Ritos funerários


Ísis (esquerda) e Néftis (direita) como milhafres perto do esquife de uma múmia, século XIII a.C.

Ísis e Néftis eram retratadas ajudando o faraó falecido a alcançar o pós-vida em muitos dos feitiços presentes nos Textos das Pirâmides. Ísis aparecia mais frequentemente nos Textos dos Sarcófagos do Império Médio, porém nessas escritas Osíris foi creditads mais frequentemente como o responsável por trazer os mortos de volta a vida do que ela. Fontes do Império Novo como o Livro dos Mortos descreveram a deusa como protegendo as almas falecidas enquanto enfrentam os perigos do Duat. Eles também descreveram Ísis como membro dos conselhos divinos que julgavam as virtudes morais da alma antes de aceitá-las no pós-vida, aparecendo em vinhetas ao lado de Osíris enquanto ele presidia esse tribunal.

As duas deusas apareciam nas cerimônias funerárias, em que duas mulheres pranteadoras lamentavam o morto assim como Ísis e Néftis tinham feito com Osíris. Ísis era frequentemente mostrada ou referida nos equipamentos funerários: nos sarcófagos e baús canópicos como uma de quatro divindades que protegiam os Filhos de Hórus, em tumbas como oferecendo seu leite ao morto e em amuletos tyet que frequentemente eram colocados nas múmias a fim de garantir que o poder de Ísis os protegeria do mau. Textos funerários posteriores a mostravam lamentando por Osíris e, em certo texto, parte dos Livros da Respiração, foi dito que foi escrito pela própria em benefícios do marido. Ísis era considerada mais importante que Osíris na religião funerária núbia, pois tinha sido a parceira ativa enquanto ele passivamente recebeu as oferendas feitas para sustentá-lo no pós-vida.

Culto popular

Diferentemente de outras divindades egípcias, Ísis raramente era mencionada em orações ou invocada em nomes pessoais até pelo menos o final do Império Novo. Da Época Baixa (c. 664–332 a.C.) em diante, ela tornou-se uma das divindades mais comumente mencionadas nas fontes, que frequentemente falavam de sua personalidade bondosa e disposição para responder aqueles que pediam ajuda. Centenas de milhares de amuletos e estátuas votivas de Ísis cuidando de Hórus foram feitas no primeiro milênio a.C., enquanto nos tempos romanos ela estava entre as divindades mais comumente representadas em artes religiosas particulares, como estatuetas e painéis.

Ísis aparecia proeminentemente em textos mágicos a partir do Império Médio. Os perigos que Hórus enfrentou na infância eram temas frequentes nos feitiços mágicos de cura, em que os esforços da deusa para curar o filho eram estendidos para qualquer paciente. Ísis, em muitos desses feitiços, força Rá a ajudar Hórus ao declarar que iria parar o Sol em seu caminho pelo céu caso seu filho não fosse curado. Outros feitiços igualavam mulheres grávidas com a deusa a fim de garantir que elas dariam luz bem sucedidamente.

A magia egípcia começou a incorporar conceitos cristãos à medida que o cristianismo estabelecia-se no Egito, porém os deuses gregos e egípcios continuaram a aparecer em feitiços até muito depois de seus cultos em templos terem cessado. Feitiços que talvez datem dos séculos VI, VII e VIII invocam o nome de Ísis ao lado de figuras cristãs.

Mundo greco-romano

Difusão


As ruínas do templo de Ísis em Delos

Cultos baseados em uma cidade ou nação em particular eram comuns pelo mundo antigo até meados do primeiro milênio a.C., quando o contato cada vez maior entre culturas diferentes permitiu que certos cultos se espalhassem mais amplamente. Os gregos tinham ciência das divindades egípcias, incluindo Ísis, desde pelo menos o Período Arcaico (c. 700–480 a.C.), com seu primeiro templo conhecido na Grécia tendo sido construído por volta do século IV a.C. por egípcios que moravam em Atenas. As conquistas de Alexandre, o Grande no final desse século criaram reinos helenísticos pelo Mediterrâneo e no Oriente Próximo, incluindo o Reino Ptolemaico no Egito, colocando religiões gregas e não-gregas em contato muito mais próximo. A difusão de culturas que se resultou permitiu que muitas tradições se espalhassem pelo mundo helenístico nos últimos três séculos antes de Cristo. Os novos cultos móveis adaptavam-se para atrair pessoas de diferentes culturas. Os cultos de Ísis e Serápis, nas formas helenizadas criadas pelos ptolemaicos, estavam entre esses cultos que expandiram-se dessa forma.

Os cultos de Ísis e Serápis foram espalhados por comerciantes e outros viajantes mediterrâneos, sendo estabelecidos em cidades portuárias gregas no final do século IV a.C. e expandidas pelos Bálcãs e Anatólia durante os séculos III e II a.C.. A ilha grega de Delos foi um dos primeiros centros de culto de ambas as divindades, com sua posição como centro comercial fazendo-a o trampolim para que os cultos egípcios se espalhassem para a Península Itálica. Ísis e Serápis também eram venerados em alguns locais dispersos no Império Selêucida, um reino helenístico do Oriente Médio, porém eles desapareceram da região à medida que os selêucidas perderam seu território oriental para o Império Parta.

Os gregos consideravam as divindades egípcias exóticas e algumas vezes bizarras, porém cheias de sabedoria antiga. O culto de Ísis atraía gregos e romanos ao jogar em cima de suas origens exóticas, como outros cultos vindos das regiões orientais do Mediterrâneo, porém a forma que assumiu ao alcançar os Bálcãs era muito helenizada.

O culto de Ísis alcançou a Península Itálica e a esfera de influência romana em algum momento do século II a.C.. Foi um de muitos cultos que foram introduzidos em Roma enquanto a República Romana expandia seu território durante os últimos séculos antes de Cristo. Autoridades romanas tentaram definir quais cultos eram aceitáveis e quais não eram, de forma assim a definir a identidade cultural romana em meio às mudanças culturais acarretadas por sua rápida expansão. No caso de Ísis, santuários e altares em sua homenagem foram erguidos no Monte Capitolino, no centro da cidade, por pessoas particulares no começo do século I a.C.. A independência do culto em relação às autoridades o fez potencialmente inquietante para elas. O Senado Romano destruiu esses santuários nas décadas de 50 e 40 a.C., quando a Crise da República Romana fez muitos romanos acreditarem que a paz entre os deuses estava perturbada, porém Ísis não foi banida completamente da cidade.

Cultos egípcios enfrentaram mais hostilidades durante a Última Guerra Civil da República Romana, quando Roma, liderada por Otaviano, lutou contra Marco Antônio e o Egito governado por Cleópatra VII Filópator. Otaviano, após sua vitória, baniu os santuários de Ísis e Serápis dentro do Pomério, a fronteira mais interna e sagrada da cidade, porém os permitiu em outras partes, fazendo assim que as divindades egípcias fossem não-romanas mas aceitáveis. Os cultos egípcios tornaram-se gradualmente uma parte aceitável da paisagem religiosa romana, mesmo tendo sido temporariamente banidos do império durante o reinado de Tibério. Os imperadores flavianos do final do século I trataram Serápis e Ísis como padroeiros de seus reinados de forma similar a deuses romanos tradicionais como Júpiter e Minerva. A veneração a Ísis desenvolveu novos elementos que enfatizavam sua origem egípcia, mesmo enquanto seu culto estava sendo integrado à cultura romana.

Os cultos expandiram-se para as províncias ocidentais, começando ao longo da costa mediterrânea. Ísis e Serápis, em seu auge no final do século II e início do III, eram venerados na maioria das cidades ocidentais do império, porém tinham pouca presença no interior. Seus templos eram encontrados desde em Petra e Palmira, nas províncias da Arábia Pétrea e Síria, até Itálica na Hispânia Ulterior e Londínio na Britânia. Nessa época eles estavam em situação comparável aos deuses romanos tradicionais.

Papéis


Estátua romana de Ísis, c. século I ou II. Ela está segurando um sistrum e uma jarra d'água, porém estes foram adicionados em uma restauração do século XVII.

O culto de Ísis, assim como outros no mundo greco-romano, não tinha um dogma concreto, com suas crenças e práticas permanecendo apenas vagamente similares entre si enquanto difundiam-se pela região e evoluíam com o decorrer do tempo. Aretologias gregas que elogiavam a deusa proporcionam boa parte das informações sobre esses cultos. Partes dessas aretologias eram similares às ideias presentes nos hinos egípcios posteriores, como aqueles existentes em Filas, enquanto outros elementos eram totalmente gregos. Outras informações vem de Plutarco, cujo livro Sobre Ísis e Osíris interpreta os deuses egípcios a partir de sua filosofia média platônica, enquanto vários outros trabalhos de literatura latina e grega falavam da veneração de Ísis, especialmente um romance de Apuleio conhecido como Metamorfoses ou O Asno de Ouro, que termina ao descrever como o protagonista tem uma visão da deusa e torna-se um de seus devotos.

Aretologias elaboraram sobre o papel de Ísis como esposa e mãe no mito de Osíris e lhe chamaram de a inventora do casamento e paternidade. Ela era invocada para proteger as mulheres no parto e, em romances gregos como Conto Efésico, para proteger sua virgindade. Alguns textos antigos sugerem que ela era a padroeira em geral das mulheres. Seu culto pode ter servido a fim de promover a autonomia feminina de forma limitada, com o poder e autoridade de Ísis atuando como precedente, porém no mito ela era dedicada e nunca totalmente independente de seu filho e marido. As aretologias mostravam atitudes ambíguas em relação à independência feminina: uma dizia que a deusa fez as mulheres em igualdade com os homens, porém outra dizia que ela fez as mulheres subordinadas a seus maridos.

Ísis era frequentemente caracterizada como uma deusa lunar, fazendo um paralelo com as características solares de Serápis. Ela também era vista como uma divindade cósmica de forma mais geral. Diversos textos afirmavam que ela organizava o comportamento do Sol, Lua e estrelas, governando o tempo e as estações do ano que, por sua vez, garantiam a fertilidade da terra. Esses textos também lhe creditam com a invenção da agricultura, estabelecimento das leis e elaboração ou promoção de outros elementos da sociedade humana. Esta ideia vinha de antigas tradições gregas sobre os papéis de vários deuses e do herói cultural, incluindo Deméter, no estabelecimento da civilização.

Ela também cuidava dos mares e portos. Marinheiros costumavam deixar inscrições convocando-a para proteger e trazer boa sorte em suas viagens. Neste papel ela era chamada de Isis Pelagia, "Ísis do Mar", ou também Isis Pharia, em referência a uma vela de navegação ou à ilha de Faros, local do Farol de Alexandria. Esta forma de Ísis emergiu durante os tempos helênicos e pode ter sido inspirada por imagens egípcias da deusa em uma barca, além de por deuses gregos que protegiam a navegação, como Afrodite. Isis Pelagia desenvolveu uma significância extra em Roma: o suprimento alimentício da cidade era dependente de carregamentos de cereais vindos de suas províncias, especialmente do Egito, assim Ísis garantia colheitas férteis e protegia os navios que carregavam a comida pelos mares – assim garantindo o bem estar do império como um todo. Dizia-se que sua proteção do Estado estendia-se também para os exércitos, assim como era no Reino Ptolemaico, algumas vezes sendo inclusive chamada de Isis Invicta, "Ísis Invencível". Suas funções eram tão numerosas que ela acabou por ser chamada de myrionymos, "a de incontáveis nomes", e panthea, "deusa de tudo". Tanto Plutarco quanto o filósofo Proclo mencionaram uma estátua velada da deusa egípcia Neite que eles misturaram com Ísis, citando isto como um exemplo de sua universalidade e sabedoria enigmática. Ela tinha as inscrições "Sou tudo que já foi e será; e nenhum mortal jamais levantou meu manto".

Também dizia-se que Ísis beneficiava seus seguidores no pós-vida, algo que não era muito enfatizado nas religiões grega e romana. Metamorfoses e inscrições deixadas por adoradores sugerem que muitos de seus seguidores acreditavam que ela lhes garantiria um pós-vida melhor em troca de sua devoção. Esse pós-vida era caracterizado inconsistentemente. Alguns diziam que beneficiariam-se da água vivificante de Osíris, enquanto outros esperavam velejar para as Ilhas Afortunadas da tradição grega.

Dizia-se, assim como no Egito, que Ísis tinha poder sobre o destino, que na tradição religiosa grega era um poder que até mesmo os deuses não podiam desafiar. O historiador Valentino Gasparini afirma que esse controle unia todos os traços díspares da deusa. Ela governava o cosmos ao mesmo tempo que aliviava as pessoas de seus infortúnios comparativamente triviais, com sua influência estendendo-se para o reino dos mortos, que era "individual e universal ao mesmo tempo".Relações com outros deuses


Afresco em Pompeia de Ísis dando as boas vindas a Io no Egito, c. século I

Mais de uma dúzia de divindades egípcias eram veneradas em uma série de cultos inter-relacionados fora do Egito nos tempos helenístico e romano, porém eram relativamente pequenos. Dentre essas divindades, Serápis era ligado proximamente a Ísis e frequentemente aparecia junto dela em artes, porém Osíris permaneceu central no mito dela e proeminente em seus rituais. Templos para Ísis e Serápis algumas vezes ficavam lado a lado, porém era raro que um único templo fosse dedicado a ambos. Osíris parecia estranho para os gregos por ser uma divindade morta diferentemente das divindades imortais da Grécia, assim tinha um papel pequeno nos cultos egípcios na época helenística. Ele tornou-se, junto com Dioniso, um símbolo do pós-vida feliz nos tempos romanos, com o culto de Ísis focando-se cada vez mais nele. Hórus, frequentemente sob o nome de Harpócrates, também aparecia nos templos de Ísis como seu filho junto com Osíris ou Serápis. Ele absorveu traços de outros deuses gregos como Apolo e Eros, servindo como o deus do Sol e das colheitas. Outro membro do grupo era Anúbis, que era conectado a Hermes na forma helenizada de Hermanúbis. Algumas vezes também dizia-se que Ísis aprendeu sua sabedoria de, ou mesmo por ser a filha de, Tot, o deus egípcio da escrita e sabedoria, que era conhecido no mundo greco-romano como Hermes Trismegisto.

Ísis também tinha uma vasta rede de ligações com divindades gregas e romanas, além de algumas vindas de outras culturas. Ela nunca foi integrada totalmente ao panteão grego, porém em diferentes momentos foi igualada com uma variedade de figuras mitológicas gregas, incluindo Deméter, Afrodite e Io, uma mulher humana que foi transformada em uma vaca e perseguida da Grécia até o Egito pela deusa Hera. O culto de Deméter foi uma influência helenizadora especialmente importante para a veneração de Ísis depois de sua chegada aos Bálcãs. A relação de Ísis com as mulheres foi influenciada por suas colaborações frequentes com Deméter, que tinha a função dupla de deusa virginal e promotora da fertilidade. Ísis, por seu poder sobre o destino, era conectada com as personificações grega e romana da sorte: Tique e Fortuna. Hator era venerada como uma forma especial da deusa local Baaltis em Biblos na Fenícia durante o segundo milênio a.C.; Ísis substituiu Hator gradualmente no decorrer do milênio seguinte. Ela foi sincretizada com a divindade tutelar local Noreia em Nórica, enquanto em Petra ela talvez tenha sido ligada à deusa árabe Uza. O autor romano Tácito afirmou que Ísis era venerada pelos suevos, um povo germânico que vivia fora do império, porém ele talvez a tenha confundido com uma divindade germânica que, assim como Ísis, era uma deusa simbolizada por um barco.

Muitas aretologias incluíam longas listas de deuses com quem Ísis tinha ligações. Estes textos tratavam todas as divindades listadas como formas de Ísis, sugerindo que ela era um ser sumodeístico: a única deusa para todo o mundo civilizado. Muitas divindades eram chamadas de "um" ou "única" no mundo religioso romano em textos desse tipo. Ao mesmo tempo, filósofos helênicos frequentemente viam o princípio abstrato e unificador do cosmo como divino. Muitos deles reinterpretavam religiões tradicionais a fim de encaixarem-se em seus conceitos de ser superior, como Plutarco fez com Ísis e Osíris. Em Metamorfoses, a deusa diz que "minha pessoa manifesta os aspectos de todos os deuses e deusas" e que era "venerada por todo o mundo sob formas diferentes, com vários ritos e muitos nomes diferentes", porém os egípcios e núbios usavam seu nome verdadeiro, Ísis. Entretanto, ao listar as formas que os vários povos mediterrâneos veneravam como sendo ela, havia apenas divindades femininas. Divindades greco-romanas eram divididas firmemente por gênero, limitando o quão universal Ísis poderia ser. Uma aretologia evitou esse problema ao afirmar que Ísis e Serápis, que dizia-se frequentemente que subsumia vários deuses masculinos, eram duas divindades "únicas". Da mesma forma, tanto Plutarco quanto Apuleio limitaram a importância de Ísis ao subordiná-la a Osíris. A reivindicação de que era única tinha o objetivo de enfatizar sua grandeza, não necessariamente fazer uma afirmação teológica precisa.

Iconografia


Estatueta romana de bronze de Ísis-Fortuna segurando uma cornucópia e remo, século I

Imagens de Ísis criadas fora do Egito eram no estilo helenístico, assim como muitas de suas imagens feitas no Egito durante as épocas helenística e romana. Os atributos dela variavam muito. Algumas vezes usava o adereço de chifres de vaca de Hator na cabeça, porém os gregos e romanos diminuíram seu tamanho e frequentemente o interpretavam como uma espécie de Lua Crescente. Também usava adereços que incorporavam folhas, flores ou espigas de milho. Outros traços comuns incluíam cachos de cabelo encaracolado e um manto elaborado que era preso por um grande nó sobre seus seios, que originava-se de uma roupa egípcia ordinária, porém era tratada como um símbolo de Ísis fora do Egito. Nas mãos a deusa podia carregar um ureu ou sistrum, ambos tirados de sua iconografia egípcia, ou ainda uma sítula, um recipiente usado para libações de água ou leite que eram realizados nos cultos de Ísis.

Ela, na forma de Ísis-Fortuna ou Ísis-Tique, segurava em sua mão direita um remo, representando seu controle do destino, enquanto na esquerda tinha uma cornucópia, simbolizando abundância. Como Ísis Faria usava uma capa que levantava-se atrás de si como uma vela, já como Ísis Lacta cuidava de Harpócrates criança. Essas imagens diversas vinham de suas muitas funções; o historiador Robert Steven Bianchi disse que "Ísis podia representar qualquer coisa para qualquer um e podia ser representada em qualquer maneira imaginável".

Veneração

Devotos e sacerdotes

O culto de Ísis, assim como muitos outros na época, não exigia que seus devotos venerassem a deusa exclusivamente, com seus níveis de comprometimento variando bastante. Alguns devotos serviam como sacerdotes em diferentes cultos e passavam por diferentes iniciações dedicadas a deuses diferentes. Mesmo assim, muitas pessoas enfatizavam uma devoção forte para com Ísis, com alguns chegando a considerá-la o foco de suas vidas. Eles estavam entre os poucos grupos religiosos no mundo greco-romano a ter um nome distinto para si mesmos, vagamente equivalente a "judeu" ou "cristão", possivelmente indicando que eles se definiam por sua afiliação religiosa. Entretanto, a palavra – Isiacus ou "Isíaco" – era raramente usada.

Isíacos eram pequenos em proporção em relação a população do Império Romano, porém eram oriundos de todos os níveis da sociedade, desde escravos e libertos até oficiais e membros da família imperial. Relatos antigos sugerem que Ísis era popular com as classes mais baixas, proporcionando um possível motivo por as autoridades romanas, atormentadas por disputas de classes, vissem seu culto com certas suspeitas. Mulheres eram mais bem representadas no culto de Ísis do que na maioria dos outros cultos greco-romanos, podendo nos tempos imperiais servirem como sacerdotisas em muitas das mesmas posições hierárquicas que os homens. Mulheres formavam menos da metade dos isíacos conhecidos a partir de inscrições e eram raramente listadas entre os altos níveis do sacerdócio, porém sua participação pode ter sido muito maior porque as mulheres tradicionalmente eram sub-representadas em inscrições romanas. Vários autores da época acusaram o culto da deusa de encorajar a promiscuidade feminina. O historiador Jaime Alvar sugere que o culto atraía suspeitas masculinas simplesmente porque proporcionava às mulheres um local para agirem fora do controle de seus maridos.

Sacerdotes de Ísis eram conhecidos por suas cabeças raspadas e roupas de linho branco, ambas as características tiradas de sacerdócios egípcios e dos requisitos para a pureza ritual. Um templo de Ísis podia incluir várias hierarquias de sacerdotes, além de diversas associações cultuais e deveres especializados para simples devotos. Não há evidências de uma hierarquia supervisionando múltiplos templos, com cada templo possivelmente tendo funcionado independentemente dos outros.

Templos e ritos


Afresco de uma reunião isíaca, século I d.C.. Um sacerdote está cuidando do fogo, enquanto outro segura um jarro de água sagrada flanqueado por duas esfinges.

Templos para divindades egípcias fora do Egito, como a Basílica Vermelha em Pérgamo, o Templo de Ísis em Pompeia ou o Iseu Campense em Roma, foram construídos principalmente no estilo greco-romano, porém, assim como os templos egípcios, eram cercados por pátios grandes fechados por muros. Eram decorados com artes temáticas egípcias, algumas vezes incluindo artefatos importados do Egito. Sua disposição era mais elaborada que os templos romanos tradicionais e incluíam aposentos para os sacerdotes e para várias funções ritualísticas, com o ídolo da deusa ficando em um santuário fechado. Diferentemente de ídolos egípcios, as estátuas helenísticas e romanas de Ísis eram em tamanho real ou maiores. Seu ritual diário ainda consistia em vestir o ídolo em roupas elaboradas todas as manhãs e oferecer libações, porém os sacerdotes permitiam que devotos ordinários assistissem o culto durante os rituais matinais, diferentemente da tradição egípcia, com eles podendo rezar diretamente para a imagem e cantar hinos diante dela.

A água era outro objeto de veneração, tratada como um símbolo das águas do Nilo. Os templos de Ísis construídos no tempo helenístico muitas vezes possuíam cisternas subterrâneas que armazenavam a água sagrada, aumentando e diminuindo seu nível em imitação das cheias do Nilo. Muitos templos romanos empregavam um cântaro d'água que era venerado como ídolo ou manifestação de Osíris.

Culto particular

O larário romano, ou santuário particular localizado em residências, continha estatuetas de penates, um grupo variado de divindades protetoras escolhidas a partir da preferências pessoais dos moradores da casa. Ísis e outras divindades egípcias eram encontradas em larários na Península Itálica desde o final do século I a.C. até o começo do IV d.C..

O culto exigia de seus devotos tanto pureza ritual quanto pureza moral, com banhos periódicos também sendo necessários ou ainda longos períodos de abstinência sexual. Isíacos algumas vezes demonstravam sua piedade em ocasiões irregulares, clamando elogios a deusa nas ruas ou, como forma de penitência, declarando seus pecados publicamente.

Alguns templos para divindades gregas, como Serápis, praticavam incubação, em que os devotos dormiam no templo na esperança que o deus aparecesse em seus sonhos e lhes dessem conselhos ou curasse doenças. Alguns textos implicavam que essa prática também ocorria em templos dedicados a Ísis, porém há pouquíssimas evidências disso. Entretanto, acreditava-se que a deusa comunicava-se através dos sonhos em outras circunstâncias, incluindo convocar devotos para iniciações.

Iniciação

Ver artigo principal: Mistérios de Ísis

Alguns templos de Ísis realizavam ritos de mistério e iniciações para novos membros do culto. Apesar desses ritos serem os elementos mais bem conhecidos do culto greco-romano de Ísis, sabe-se apenas que eram realizados na Península Itálica, nos Bálcãs e em Anatólia. As iniciações acrescentavam uma intensidade emocional ao processo de juntar-se ao culto por meio de uma experiência dramática e mística com a deusa.

Metamorfoses proporciona o único relato detalhado da iniciação isíaca. Os motivos de Apuleio para escrever sobre o culto e a precisão de sua descrição ficcionalizada são muito debatidos. Entretanto, seu relato é amplamente consistente com outras evidências sobre a iniciação e acadêmicos muito se baseiam nele para estudarem o assunto.

Ritos de mistério empregavam várias experiências intensas, como escuridão noturna interrompida por uma luz brilhante, música alta e barulhos, com o objetivo de sobrecarregar os sentidos e criar uma experiência religiosa intensa que poderia parecer um contato direto com a divindade dedicada. Lúcio, o protagonista de Apuleio, passa por uma série de iniciações, porém apenas a primeira é descrita em detalhes. O protagonista, depois de entrar na parte mais interna do templo de Ísis, diz: "Cheguei à fronteira da morte e, tendo trilhado a soleira de Proserpina, viajei por todos os elementos e voltei. No meio da noite vi o Sol cintilando com luz brilhante, fiquei cara a cara com os deuses abaixo e os deuses acima e prestei reverência a todos de perto". Esta descrição sugere que a viagem simbólica do iniciado para o mundo dos mortos era conectada com o renascimento de Osíris, além da viagem de Rá pelo submundo de outro mito egípcio, possivelmente implicando que Ísis trouxe o iniciado de volta a vida como tinha feito com o marido.

Festivais

Os calendários romanos listavam desde o início do século I os dois festivais mais importantes de Ísis. O primeiro era o Navigium Isidis em março, que celebrava sua influência sobre o mar e servia de reza pela segurança dos navegantes e, por fim, do povo romano e seus líderes. Consistia de uma procissão elaborada, formada por sacerdotes isíacos e devotos vestidos com roupas diferentes e carregando emblemas sagrados, que carregava um modelo de um navio desde o templo local até o mar ou rio próximo. O outro festival era a Isia no final de outubro e começo de novembro. Assim como o festival de Khoiak, seu predecessor egípcio, a Isia tinha um ritual de reencenamento da procura de Ísis por Osíris, seguido por uma jubilação quando o deus era finalmente encontrado. Existiam vários outros festivais menores, incluindo a Pelusia no final de março que talvez também tenha celebrado o nascimento de Harpócrates, e a Liquinapsia, ou festival da lamparina acesa, que celebrava o nascimento da própria Ísis em 12 de agosto.

Festivais a Ísis ou outras divindades foram celebrados pelo decorrer do século IV, apesar do crescimento do cristianismo e da perseguição de pagãos que se intensificou ao final do século. A Isia foi celebrada até pelo menos 417, enquanto o Navigium Isidis durou até o século VI. O significado de todos os festivais romanos foi esquecido ou ignorado com o passar do tempo, mesmo com os costumes continuando. Esses costumes, em alguns casos, tornaram-se parte da cultura clássica e cristã da Alta Idade Média.

Influência no cristianismo


Ísis Lacta segurando Harpócrates em um afresco egípcio do século IV

Uma questão controversa sobre Ísis é se seu culto influenciou o cristianismo. Alguns costumes isíacos podem ter estado entre as práticas pagãs que foram incorporadas às tradições cristãs enquanto o Império Romano era cristianizado. Por exemplo, o historiador Andreas Alföldi argumentou que o festival medieval do Carnaval, em que um modelo de barco era carregado pelas ruas, desenvolveu-se do Navigium Isidis.

Grande atenção foi prestada para a questão de se traços do cristianismo foram tirados de cultos de mistério pagãos, incluindo o de Ísis. Os membros mais devotos do culto faziam um comprometimento pessoal a deusa que consideravam superior a outros, assim como os cristãos. Tanto o cristianismo quanto o culto de Ísis tinham um rito de iniciação: o mistério de Ísis e o batismo, respectivamente. Um dos temas em comum dos cultos de mistério – um deus cuja morte e ressurreição pode estar ligada ao bem estar de seus adoradores no pós-vida – é semelhante ao tema central do cristianismo. A sugestão de que as crenças básicas do cristianismo podem ter sido tiradas de cultos de mistério tem provocado grandes debates há mais de duzentos anos. Em resposta, Hugh Bowden e Jaime Alvar, dois acadêmicos que estudaram antigos cultos de mistério, sugerem que as similaridades entre cristianismo e os cultos não surgiram pela simples tomada de ideias, mas sim por seu passado em comum: a cultura greco-romana dentro da qual os dois se desenvolveram.

As similaridades de Ísis com Maria também já foram analisadas. Elas foram assunto de controvérsia entre cristãos protestantes e a Igreja Católica, já que muitos protestantes consideram que a veneração católica de Maria é um resquício de paganismo. O classicista R. E. Witt considera Ísis como a "grande precursora" de Maria. Ele sugeriu que antigos devotos de Ísis convertidos ao cristianismo enxergavam Maria de maneira bem similar a sua deusa tradicional. Witt destacou que as duas tinham várias esferas de influência em comum, como a agricultura e a proteção dos marinheiros. Ele comparou o título "Mãe de Deus" de Maria ao epíteto "mãe do deus" de Ísis, além do "Nossa Senhora Rainha" de Maria com o "Rainha do Céu" de Ísis. Stephen Benko, historiador dos tempos remotos do cristianismo, argumentou que a veneração de Maria foi muito influenciada pela adoração de diversas deusas pagãs, não apenas Ísis. Por outro lado, o padre John Anthony McGuckin, um historiador eclesiástico, falou que Maria absorveu traços superficiais dessas deusas, como a iconografia, porém os fundamentos de seu culto eram praticamente todos cristãos.

Imagens de Ísis com Hórus no colo já foram sugeridas como inspirações para a iconografia de Maria, especialmente imagens da Virgem Amamentando, já que ilustrações de mulheres amamentando eram raras no antigo mundo mediterrâneo fora do Egito. Vincent Tran Tam Tinh salientou que as imagens mais recentes de Ísis amamentando Hórus datam do século IV, enquanto as imagens mais antigas de Maria cuidando de Jesus são do século VII. Sabrina Higgins, partindo da pesquisa de Tran Tam Tinh, argumentou que, se há uma conexão entre as iconografias de Ísis e Maria, está limitada às imagens da Virgem Amamentando do Egito. Por outro lado, Thomas F. Mathews e Norman Muller pensam que a pose de Ísis influenciou vários ícones marianos, tanto dentro quanto fora do Egito. Elizabeth Bolman disse que essas imagens egípcias de Maria amamentando Jesus tinham a intenção de significar divindade, assim como imagens de outras deusas amamentando na iconografia egípcia. Higgins afirmou que tais similaridades provam que as imagens de Ísis influenciaram as de Maria, porém não que os cristãos adotaram deliberadamente a iconografia de Ísis ou outros elementos de seu culto.

Influência em outras culturas


Estátua de Ísis como a "deusa da vida" velada, por Auguste Puttemans no século XX

A memória de Ísis sobreviveu à extinção de seu culto. Muitos europeus modernos, assim como os gregos e romanos, consideram o Antigo Egito como local de uma sabedoria profunda e por vezes mística, com essa sabedoria frequentemente sendo ligada a Ísis. A biografia de Ísis por Giovanni Boccaccio em sua obra De Mulieribus Claris de 1374, baseado em fontes clássicas, tratou a deusa como uma rainha histórica que ensinou habilidades civilizadas para a humanidade. Alguns pensadores renascentistas elaboraram esta perspectiva de Ísis. João Ânio de Viterbo afirmou na década de 1490 que ela e Osíris tinham civilizado a Península Itálica antes dos Bálcãs, dessa forma criando uma conexão direta entre sua terra natal e o Egito. Os Apartamentos Bórgia no Palácio Apostólico do Vaticano, pintados para o papa Alexandre VI, patrono de Ânio, incorporaram este mesmo tema em sua representação ilustrada do mito de Osíris.

O esoterismo ocidental muitas vezes referenciou Ísis. Dois textos esotéricos romanos usaram o tema mítico em que Ísis passa conhecimentos secretos para Hórus. Em Kore Kosmou, ela o ensina sabedoria recebida de Hermes Trismegisto, enquanto no texto alquímico Ísis, a Profeta de Seu Filho Hórus, ela lhe ensina receitas alquímicas. Literatura esotérica moderna tratava Hermes Trismegisto como um sábio egípcio e frequentemente lhe creditava textos, algumas vezes também creditando-os a Ísis. A descrição de Apuleio da iniciação isíaca influenciou práticas de muitas sociedades secretas. O romance Vida de Setos de Jean Terrasson em 1731 usou a descrição de Apuleio como inspiração para uma iniciação egípcia fantasiosa dedicada a Ísis. Ele foi imitado por sociedades maçônicas e pseudo-maçônicas no século XVIII, além de outras obras artísticas, notavelmente em 1791 na ópera A Flauta Mágica de Wolfgang Amadeus Mozart.A estátua velada de Ísis que Plutarco e Proclo mencionaram tem, desdo Renascimento, sido interpretada como personificação da natureza, baseado em uma passagem nos trabalhos de Macróbio no século V que igualava a deusa com a natureza. Autores dos séculos XVII e XVIII atribuíram uma grande variedade de significados para essa imagem. Ísis representava a natureza como a mãe de todas as coisas, como um conjunto de verdades esperando para serem reveladas pela ciência, como símbolo do conceito panteísta de um anônimo – uma divindade que era imanente dentro da natureza – ou como um poder sublime inspirador que poderia ser sentido através de ritos de mistério. A deusa serviu como alternativa ao cristianismo tradicional durante descristianização da França na Revolução Francesa: um símbolo que poderia representar a natureza, sabedoria científica moderna e uma conexão com um passado pré-cristão. Por esses motivos, a imagem de Ísis apareceu em obras patrocinadas pelo governo revolucionário, como a Fonte da Regeneração, e pelo Primeiro Império Francês. A metáfora do véu de Ísis continuou circulando no século XIX. Helena Blavatsky, fundadora da tradição esotérica da Teosofia, intitulou seu livro de 1877 como Ísis sem Véu, implicando que iria revelar as verdades espirituais sobre a natureza que a ciência não podia.

Dentre egípcios modernos, Ísis foi usada como símbolo nacional durante o movimento Faraonista nas décadas de 1920 e 1930, enquanto o Reino do Egito ganhou independência do Reino Unido. Em trabalhos como a pintura Renascença do Egito de Mohamed Naghi no Parlamento do Egito e a peça O Retorno do Espírito de Tawfiq al-Hakim, a deusa simboliza o renascimento da nação. Um escultura de Mahmoud Mokhtar, também chamada de Renascença do Egito, brinca com o tema de Ísis remover seu véu.

Ísis aparece frequentemente em obras ficcionais, como uma série de quadrinhos de super-herói, com seu nome e imagem aparecendo em locais díspares como propagandas e nomes pessoais. O nome Isidoro ou Isidro, significando "presente de Ísis", sobreviveu na cristandade apesar de suas origens pagãs, dando origem à forma inglesa Isidore e suas diversas variantes. "Ísis" por conta própria tornou-se no final do século XX e início do XXI um nome pessoal feminino popular.

A deusa continua a aparecer em crenças esotéricas modernas e neopagãs. O conceito de uma única divindade que encarna todos os poderes femininos, parcialmente inspirado por Apuleio, tornou-se um tema amplamente explorado na literatura do século XIX e início do XX. Grupos e figuras esotéricas influentes, como a Ordem Hermética da Aurora Dourada do final do século XIX e Dion Fortune na década de 1930, adotaram essa deusa universal em seus sistemas de crenças e a chamaram de Ísis. Esta concepção de Ísis influenciou a Grande Deusa encontrada em muitas formas de bruxaria contemporânea. Atualmente, reconstruções da religião do Antigo Egito, como a Ortodoxia Quemética e a Igreja da Fonte Eterna, incluem Ísis entre as divindades veneradas. A Irmandade de Ísis, uma organização religiosa eclética focada em divindades femininas, tem esse nome pois, segundo sua sacerdotisa M. Isidora Forrest, Ísis pode ser uma "deusa universal para todas as pessoas".

Deus Khepri

Na mitologia egípcia, Khepri (também Kheper, Khepera, Khepra, Khepre, Khepere) é uma divindade principal. Khepri é associado com a imagem do escaravelho, cujo comportamento de ficar carregando bolas de estrume é comparado às forças que fazem mover o Sol.

Khepri gradualmente veio a ser considerado como uma encarnação do próprio Sol, e por isso tornou-se uma das formas do Deus do Sol. Segundo a Religião Egípcia, ele era responsável por "rolar" o sol para fora do Duat no final da sua jornada, também representava o renascimento diário de Rá.


Índice


1Mitologia

2Origem

3Formas de representações

4Na cultura popular

5Notas e referências

5.1Notas

5.2Referências

Mitologia

O deus Khepri criou-se a partir da matéria primordial ao dizer seu próprio nome, em seguida ele procriou os deuses Shu e Téfnis, formando a primeira trindade. De Shu e Téfnis nasceram Geb  e Nut.

Nut, esposa de Geb, foi a mãe de Osíris, Seti, Ísis e Néftis, em um único parto.

Origem

Como o escaravelho rola-bosta deixa os ovos nos corpos mortos de vários animais, incluindo outros escaravelhos, e no esterco, daí emergindo para o nascimento, os antigos egípcios acreditavam que os escaravelhos estavam carregados da substância da morte. Por isso, associavam ainda Khepri ao renascimento (ou reencarnação), renovação e ressurreição. De facto, o símbolo do escaravelho Khepri em egípcio antigo significa tornar-se. Como resultado disso, quando o culto do deus-Sol rival Rá alcançou significado, Khepri foi identificado como uma variante de Rá (o aspecto do Sol na manhã ou madrugada).

Consequentemente, quando Rá Amon se tornou a identidade de um mesmo deus (Amon-Rá), determinou-se que Khepri era a forma de Rá quando jovem, em conflito com Nefertum, que era o Atum jovem. Isto tudo gerou uma cosmogonia onde Rá, como Khepri, foi resultado da actividade da Ogdóade e emergiu de uma flor de lótus azul apenas para ser imediatamente transformado em Nefertum que, depois de crescer, gerou a Enéade.

Formas de representações

Khepri foi principalmente esculpido e pintado como um escaravelho, não obstante em alguns papiros funerários ser representado como um homem com a cabeça de escaravelho. Ele também foi representado como um escaravelho numa barca solar segurada por Num. Quando representado como um escaravelho, ele era normalmente posto a empurrar o sol através do céu durante o dia, bem como a empurrá-lo em segurança durante a noite, na passagem do Sol pelo submundo.

Como o aspecto de Rá, é particularmente prevalecente na literatura funerária do período do Império Novo, quando muitos túmulos do Vale dos Reis foram decorados com Rá como o disco solar, Khepri como o Sol na manhã ou madrugada e Atum como o Sol poente.

Na cultura popular

Em Trono de Fogo, o segundo livro da série As Crônicas dos Kane, de Rick Riordan, Khepri, na forma de um escaravelho, é uma das três formas em que Rá se dividiu, quando se retirou para dormir.

Deus Rá (1)

Rá (grego clássico: Χνοῦβις; romaniz.: Chnoubis) ou Quenum(em egípcio: Khnum, Khnemu) era um deus da mitologia egípcia. Era representado como um homem com cabeça de carneiro, por vezes tendo uma jarra ou coroa dupla sobre os cornos. O seu nome significa "o modelador".

É um deus com origens antigas, que possivelmente remontam à época pré-dinástica. Do ponto de vista geográfico, encontrava-se ligado à zona sul do Egito e à Núbia.

Este deus representava os aspectos criativos; acreditava-se que Quenúbis regulava as águas do Nilo, das quais os egípcios dependiam para a sua sobrevivência. A vida no Antigo Egito estava regulada pelas inundações anuais do Nilo que traziam uma argila que fertilizava os campos e assim permitia a prática agrícola.

Estava também ligado à criação dos seres humanos. No seu torno formava não só a carne dos humanos, mas também o seu "ka" (parte da alma). Por esta razão, era também representado no acto da criação dos novos seres. No seu torno também criou o ovo do qual saiu Rá, que por sua vez gerou os outros deuses. Em Elefantina, Quenúbis formava uma tríade (agrupamento de três deuses) com as deusas Sátis e Anúquis. Na cidade de Esna formava uma tríade com Sátis e Neite.

Uma tradição afirma que o rei Djoser estava preocupado com uma fome de sete anos que se tinha abatido sobre o Egito. O rei compreende que esta situação esta associada ao facto de Quenúbis não permitir a circulação das águas do Nilo, que prende com as suas sandálias. O rei decide então realizar oferendas à divindade, que surge num sonho a pedir que continue a honrá-lo convenientemente. Esta história encontra-se gravada num estela da época ptolomeica, conhecida como a "estela da fome" e é provável que tenha pouco valor histórico, dado longo período de tempo que decorre entre Djoser e a era ptolomeica. Também era conhecido como uma das personalidades de Rá o pôr do sol/anoitecer, era nessa forma que o Deus do Sol iniciava sua jornada pelo Duate.

Deus Khonsu

Quespisiquis (em grego clássico: Chespisichis), também chamado Consu (Khonsu) ou Quensu (Khensu), é um antigo deus egípcio cujo papel principal está associado à lua. Seu nome significa "viajante" e isto pode referir-se a viagens noturnas da lua no céu. Juntamente com Tote, representa a passagem no tempo. Quespisiquis foi fundamental na criação de nova vida em todos os seres vivos. Em Tebas, ele fazia parte de uma tríade com Mut, sua mãe, e Amom, seu pai. Em Com Ombo, era venerado como filho de Suco e Hator.

Biografia

Normalmente ele é retratado como uma múmia com o símbolo da infância, uma sidelock de cabelo, bem como a menat colar com bandido e malho. Ele tem ligações estreitas com outras crianças, como divino Hórus e Su. Ele às vezes é mostrado vestindo um falcão da cabeça como Horus, com quem ele está associado como um protetor e curandeiro, enfeitados com o sol disco ea lua crescente.

Ele é mencionado nos Textos das Pirâmides e Textos dos Sarcófagos, no qual ele é retratado em um aspecto feroz, mas não ganha destaque até o Novo Reino, quando ele é descrito como o "Maior Deus dos Grandes Deuses". A maior parte da construção do complexo do templo de Carnaque foi centrada em Quespisiquis durante o Período Raméssida. Seu templo em Carnaque está relativamente em um bom estado de conservação e em uma das paredes está representado um cosmogenia em que Quespisiquis é descrito como a grande serpente que fertilizou o Ovo Cósmico da criação do mundo.

Quespisiquis possui uma reputação como curandeiro que ultrapassa o Egito como a lenda em qua a princesa de Bequetem instantaneamente foi curada de uma doença, quando uma imagem de Quespisiquis chegou. Rei Ptolomeu IV chamava a si mesmo como "Amado de Quespisiquis Quem Defende Sua Majestade e Dispersarei os Maus Espíritos" após ter sido curado de uma doença. Mênfis, Hibis e Edfu foram aos locais de culto de Quespisiquis.

Deusa Maat

Na religião egípcia, Maat ou Ma'at é a deusa da verdade, da justiça, da retidão e da ordem. É a deusa responsável pela manutenção da ordem cósmica e social, esposa de Toth (alguns escritores defendem que o deus-lua Toth era o irmão de Maat). Ela é representada como uma jovem mulher ostentando uma pluma de avestruz na cabeça, a qual era pesada contra o coração (alma) do morto no julgamento de Osíris. Maat como deusa

Maat é a mãe de Rá, como também sua filha (e esposa). Ela é irmã do faraó mítico (Osíris ou Hórus.), assegura o equilíbrio cósmico e é graças a ela que o mundo funciona perfeitamente. "Ela é a luz que traz Rá ao mundo". Posteriormente, é retratada como esposa de Toth. Toth era o patrono dos escribas e é descrito como "aquele que revela Maat e reconhece Maat, que ama e dá Maat para o criador de Maat". Em textos como a Instrução de Amenemope os escribas são instruídos a seguir os preceitos de Maat em sua vida privada, bem como o seu trabalho. As exortações para viver de acordo com Maat são tais que esses tipos de textos têm sido descritos como "Literatura de Maat".

De acordo com a religião egípcia, no julgamento dos mortos, ela pesava as almas de todos que chegassem ao Salão de Julgamento subterrâneo com a pena da verdade. Colocava a pluma na balança, e no prato oposto o coração do falecido. Se os pratos ficassem em equilíbrio, o morto podia festejar com as divindades e os espíritos dos mortos. Entretanto, se o coração fosse mais pesado, ele era devolvido para Ammit para ser devorado.

Sua oposição era sua irmã Isfet (o caos) que, embora fosse temida, era essencial pois ambos os aspectos, o positivo e o negativo, devem estar presentes para que o equilíbrio possa existir.

Representação

Representações de Maat como uma deusa são registradas já a partir de meados do Império Antigo (c. 2680-2190 aC). Maat era retratada como uma mulher jovem, com vestes longas, sentada sobre os calcanhares ou em pé, com asas e uma pena de avestruz na cabeça (às vezes apenas uma pena), segurando um cetro, símbolo do poder, em uma mão e um Ankh, símbolo da vida eterna, na outra. O elemento de Maat é Ar e da cor de sua pele é amarelo ocre. Estas imagens são comumente encontradas nos sarcófagos como um símbolo de proteção para a alma dos mortos.

Maat como princípio

Maat é associada à determinação final e funciona tanto como deusa como quanto conceito. No antigo Egito os princípios de Maat eram parte integrante da sociedade, e garantia de ordem pública.

Para atender às necessidades complexas do estado emergente egípcio, que abraçava diversos povos com interesses conflitantes, Maat passa a ser representada como o princípio da ordem, para afastar o caos e manter a harmonia cósmica. Os princípios de manutenção da ordem, que eram seguidos pelos egípcios em obediência a Maat, tornaram-se a base da lei egípcia. Desde os primórdios, o rei é descrito como "Senhor de Maat", que decretava com sua boca a Maat que concebia em seu coração.

O significado de Maat se desenvolve a ponto de abarcar todos os aspectos da existência, incluindo o equilíbrio básico do universo, o relacionamento entre suas partes constituintes, o ciclo das estações, movimentos celestes e observações religiosas, bem como negociações justas, honestidade e confiança nas interações sociais. A harmonia cósmica era conseguida através de uma vida ritual e pública correta. Qualquer distúrbio na harmonia cósmica poderia ter consequências para o indivíduo, assim como para o estado: um rei ímpio poderia trazer fome ao povo.

Relação com o Faraó


Amon-Ra e Maat recebem unguento do rei Ptolemeu VIII Evérgeta II (170 - 116 a.C.)

Maat é fundamentalmente ligada à instituição faraônica. Os egípcios acreditavam que sem a ordem de Maat só haveria o caos primordial e então o mundo não seria o mesmo. Foi, portanto, necessário que o Faraó aplicasse e fizesse cumprir a lei, para permitir a manutenção do equilíbrio cósmico. A manutenção de Maat é tida como responsabilidade direta do faraó, no antigo Egito.

O primeiro dever do faraó era defender a lei de Maat em todo o antigo Egito. É por isso que, nas paredes dos templos, o faraó é representado pela oferta de Maat a uma divindade, dizendo, em suas ações, que ele está em conformidade com os requisitos da deusa e em troca recebe dos deuses a vida e dominação (Osíris) e poder vitorioso (Horus). Alguns faraós carregavam o título de Maat-Meri, que literalmente significa "amado de Maat". Eles são descritos frequentemente com os valores de Maat para enfatizar o seu papel na defesa das leis do Criador. Qualquer perturbação na harmonia cósmica poderia ter consequências para o indivíduo, bem como para o Estado.

Relação com a Justiça


O julgamento dos mortos na presença de Osíris.

Há pouca literatura sobrevivente que descreve a prática da lei egípcia antiga. Maat era o espírito em que a justiça foi aplicada, em vez do estabelecimento detalhado de regras. Maat era basicamente a norma e os valores para aplicação da justiça. Audiências foram realizadas em locais de culto de Maat, e lá os prisioneiros eram mantidos em prisão preventiva. A partir da V dinastia (2510-2370 a. C.) em diante, o vizir responsável pela justiça foi chamado de sacerdote de Maat e, em períodos posteriores, juízes também usavam a imagem da deusa. Para Jan Assman, ela seria um “justiça conjuntiva”, que regulava a interação social.

Durante o período grego da história egípcia, o direito grego e o egípcio existiam simultaneamente. Quando os romanos tomaram o controle do Egito, o sistema jurídico romano, existente em todo o Império Romano, foi imposto ao Egito.

A lei de Maat pode ser encontrada no capítulo 125 do Livro dos Mortos dos egípcios antigos, também conhecida como as "42 leis de Maat", a "declaração de inocência" ou as "confissões negativas". Estas declarações variavam um pouco de túmulo para túmulo e por isso não pode ser consideradas uma definição canônica de Maat. Ao contrário, eles parecem expressar as práticas individuais de cada proprietário de túmulo em vida para agradar Maat, bem como trabalhando como mágico-absolvição delitos ou erros cometidos pelo proprietário do túmulo em vida poderia ser declarados como não tendo sido feito, e através do poder de a palavra escrita, a limpeza que delito especial do registro de vida após a morte do falecido.

O julgamento dos mortos


Uma seção do Livro dos mortos escrita em papiro e mostrando a "Pesagem do coração" em um tuat e usando a pena de Maat como peso na balança.

No julgamento dos mortos, no tribunal subterrâneo (muitas vezes chamado Salão das Duas Verdades) o coração do morto era pesado contra uma pena ou um algodão (representando simbolicamente Maat). O coração que pesasse mais do que a pena era considerado indigno, seria devorado pela deusa Ammit e seu proprietário condenado a eternidade no Duat. Os indivíduos de coração bom e puro eram enviados para Aaru.

A pesagem do coração era normalmente retratada no papiro no Livro dos Mortos ou em cenas de tumbas. Mostra Anúbis supervisionando a pesagem e a Ammit sentada, aguardando os resultados para que pudesse consumir aqueles que falharam. A imagem seria o coração do morto em um dos lados da balança e pena de Maat no lado oposto. Pela importância do julgamento dos mortos, os egípcios irão identificar Maat (nos últimos anos do Antigo Egito) como uma deusa dos mortos.

42 Confissões Negativas para Maat (Papiro de Ani)

As 42 Confissões são uma espécie de mandamentos de retidão para os egípcios, como o decálogo o é para judeus, cristãos e muçulmanos. Eram recitados em reuniões religiosas.

01. Eu não pequei.

02. Eu não roubei com violência.

03. Eu não furtei.

04. Eu não assassinei homem ou mulher.

05. Eu não furtei grãos.

06. Eu não me apropriei de oferendas.

07. Eu não furtei propriedades do deus.

08. Eu não proferi mentiras.

09. Eu não desviei comida.

10. Eu não proferi palavrões.

11. Eu não cometi adultério.

12. Eu não levei alguém ao choro.

13. Eu não senti o inútil remorso.

14. Eu não ataquei homem algum.

15. Eu não sou homem de falsidades.

16. Eu não furtei de terras cultivadas.

17. Eu não fui bisbilhoteiro.

18. Eu não caluniei.

19. Eu não senti raiva sem justa causa.

20. Eu não desmoralizei verbalmente a mulher de homem algum.

21. Eu não desmoralizei verbalmente a mulher de homem algum. (repete a afirmação anterior, mas direcionada a um deus diferente).

22. Eu não me profanei.

23. Eu não dominei alguém pelo terror.

24. Eu não transgredi a lei.

25. Eu não fui irado.

26. Eu não fechei meus ouvidos às palavras verdadeiras.

27. Eu não blasfemei.

28. Eu não sou homem de violência.

29. Eu não sou um agitador de conflitos.

30. Eu não agi ou julguei com pressa injustificada.

31. Eu não pressionei em debates.

32. Eu não multipliquei minhas palavras em discursos.

33. Eu não levei alguém ao erro. Eu não fiz o mal.

34. Eu não fiz feitiçarias ou blasfemei contra o rei.

35. Eu nunca interrompi a corrente de água.

36. Eu nunca levantei minha voz, falei com arrogância ou raiva.

37. Eu nunca amaldiçoei ou blasfemei a deus.

38. Eu não agi com raiva maldosa.

39. Eu não furtei o pão dos deuses.

40. Eu não desviei os bolos khenfu dos espíritos dos mortos.

41. Eu não arranquei o pão de crianças nem tratei com desprezo o deus da minha cidade.

42. Eu não matei o gado pertencente a deus.

Templos


Templo de Deir Almedina

Os templos de Maat eram, em sua maioria, templos maiores do que de outras deusas, como Hator e Ísis. Alguns cemitérios, como o de Tebas, foram designados como “locais de Maat” mas, a mais antiga evidência de um templo está no Império Novo (1569–1081 a.C.), apesar de sua grande importância era atribuído à deusa(considerada uma deusa menor no Panteão egípcio). Amenófis III encomendou um templo para Maat em Carnaque, há indícios de que outros templos, também dedicados a deusa, localizavam-se em Mênfis e Deir Almedina.

Deusa Mesquenete

Mesquenete (Meskhenet) era uma deusa da mitologia egípcia associado ao parto. O seu nome significa "o lugar onde a pessoa se agacha", o que se encontrava relacionado com o facto das mulheres egípcias darem à luz em posição agachada com os pés posicionados sobre tijolos.

Era representada como um tijolo com cabeça de mulher ou como uma mulher com dois objectos verticais sobre a cabeça que se enroscavam para o exterior e que alguns consideram tratar-se do útero de uma vaca. Também surgia como vaca com ureu (serpente sagrada) na testa.

Moldava o ka dos seres, assegurava o nascimento destes em segurança e decidia o destino de cada um deles. Surgia também depois da morte, já que estava presente na chamada "Sala das Duas Verdades" onde os seres humanos eram julgados pelos actos que tinham praticado, informando sobre o que a pessoa tinha feito. Estava presente no momento em que o coração era pesado e simbolicamente assistia ao novo nascimento da pessoa, caso a esta lhe fosse atribuída uma existência no paraíso.

No Papiro Westcar a deusa surge como ajudante no nascimento de três reis da V Dinastia, Userquerés, Sefrés e Neferircaré, assegurando que cada um deles será rei. No templo de Hatexepsute em Deir Elbari, a deusa surge proferindo uma fórmula mágica que visa afastar o mal da rainha no momento do seu nascimento.

Mesquenete era a esposa do deus Harsafés, sendo adorada em Mênfis e em Heracleópolis Magna; nesta última cidade tomava a forma de Ísis. Em alguns textos referem-se quatro deusas Mesquenete, que dançavam e celebravam os nascimentos, sendo consideradas esposas do deus Chai.

Deus Min

Min (em egípcio: mnw) é um antigo deus egípcio cujo culto se originou no período pré-dinástico (IV milênio a.C.). Foi representado de diversas formas, mas na maioria das vezes era retratado na forma humana, do sexo masculino, mostrado com um pênis ereto que segura na mão esquerda e o braço direito suspenso, segurando um mangual. Também conhecido como Quem (Khem), era o deus da reprodução; visto como Quenúbis, foi o criador de todas as coisas, "o criador de deuses e homens".


Índice


1Etimologia

2Origens mitológicas

2.1Formas fundidas

3Características

3.1Aparência

3.2Fertilidade

3.3Culto e Legado

4Família

5Referências

6Leitura adicional

7Links externos

Etimologia

No século XIX, houve uma suposta transcrição errônea do egípcio relativo a Min asḫm (Khem). Desde que Quem foi adorado mais significativamente em Acmim (Akhmin), a identidade separada de Quem foi reforçada, sendo Acmim entendido simplesmente como uma forma corruptiva (erro) do termo Quem. No entanto, Acmim é uma alegada forma corruptiva de ḫm-mnw, que significa "Brilho de Min", através da forma demótica šmn.[carece de fontes]

Origens mitológicas

O culto a Min começou e foi centrado em torno de Copto e Acmim (Panópolis) do Alto Egito,  onde em sua homenagem grandes festivais foram celebrados comemorando seu “surgimento” com uma procissão pública e rituais envolvendo oferendas.  Outras associações ao deus incluem o deserto oriental e algumas ligações com o deus Hórus. O arqueólogo Flinders Petrie encontrou duas grandes estátuas de Min em Qift que agora estão no Museu Ashmoleano, alguns estudiosos acreditam que tais estátuas sejam do período pré-dinástico. Embora não tenha sido mencionado pelo nome, acredita-se que uma referência escrita nos Textos das Pirâmides "Aquele cujo braço é criado no Oriente" se refere a Min.

Formas fundidas

Sua importância cresceu no Reino Médio (2055–1650 a.C.), quando se tornou ainda mais estreitamente ligado a Hórus como a divindade Min-Hórus (uma vez que isso ocorreu muito durante a história do panteão egípcio). Durante o Reino Novo (1550–1069 a.C.), também foi fundido com Amom na forma de Min-Amom, que também era a serpente Irta, um camutefe (o "touro de sua mãe" - também conhecido como pai de sua própria mãe assim como seu filho). Min era tanto uma divindade independente como também um camufete de Ísis (isto é, uma divindade fundida). Um dos muitos locais de culto de Ísis ao longo do vale foi no templo de Min em Copto como sua esposa divina. O santuário de Min foi coroado com um par de chifres de touro.

Características

Como a divindade central da fertilidade e possivelmente dos ritos orgiásticos, Min foi assimilado pelos gregos como tendo semelhanças com o deus Pã. Uma das características do culto à Min foram as representações da alface selvagem espinhosa (Lactuca virosa e Lactuca serriola) das quais a versão doméstica Lactuca sativa (a famosa alface) tem qualidades afrodisíacas e opiáceas, produzindo látex quando cortadas, possivelmente interpretado com sêmen pelos egípcios, daí a sua representação. Também tinha conexões com a Núbia. No entanto, seus principais centros de culto permaneceram em Copto e Acmim.

Aparência


Relevo de Min no Templo de Carnaque


Fragmento de uma estela de pedra calcária de Djiho (Djedher), o Deus Pai de Min. - Ptolemaico, XXVII Dinastia. Do Egito. Museu Petrie de Arqueologia Egípcia, Londres

Na arte egípcia, Min era descrito como uma divindade masculina antropomórfica com um corpo masculino, coberto de mortalhas, usando uma coroa com penas, e muitas vezes segurando seu pênis ereto na mão esquerda e um mangual (representando sua autoridade, ou melhor, a dos faraós) empunhado em sua mão direita, voltada para cima. Em torno de sua testa, Min usa uma fita vermelha que se estende até o chão, interpretada por alguns como uma forma de simbolizar a energia sexual. As pernas são enfaixadas por causa de sua força espiritual, da mesma maneira que Ptá e Osíris.  Um detalhe das representações é que seu falo é circuncidado.

Fertilidade

Divindades masculinas como veículos para fertilidade e potência aumentaram muito sua prevalência com o estabelecimento da agricultura generalizada. Os homens egípcios trabalhavam na agricultura, fazendo das colheitas abundantes uma ocasião tipicamente masculinizada. Assim, deuses do sexo masculino associados a virilidade, como Osíris e Min foram mais presentes na sociedade egípcia durante este tempo. A fertilidade não estava associada somente às mulheres, mas também aos homens, aumentando ainda mais o papel do homem no parto e criação dos filhos. Como um deus que simbolizava a potência sexual masculina, Min foi homenageado durante os vários rituais de coroação de faraós do Reino Novo, onde se esperava que o faraó semeasse sua semente (o que tem sido geralmente pensado como sementes de plantas, embora tenha havido sugestões de que se esperava que o faraó demonstrasse uma ejaculação) para garantir a inundação anual do Nilo. No início das safras, a imagem de Min era tirada do templo e trazida para os campos para o Festival de Despedida de Min, parte do Festival de Min, onde os egípcios abençoavam a colheita e jogavam jogos nus em honra do deus, sendo os mais importante destes jogos a escalada de uma enorme tenda. Este festival de quatro dias é evidente a partir da lista de grandes festivais encontrada no templo de Ramessés III em Medinet Habu.

Culto e Legado

O culto e a adoração no período pré-dinástico em torno de um deus da fertilidade foram influenciadas pelo fetiche da belemnite fossilizada. Símbolos posteriores amplamente utilizados em cultos foram o touro branco, uma flecha farpada e uma cama de alfaces, que os egípcios acreditavam ser um afrodisíaco. A alface egípcia era alta, reta e liberava uma seiva parecida com leite quando esfregada, características superficialmente semelhantes ao pênis. A alface foi sacrificialmente oferecida ao deus, depois comida pelos homens em um esforço para estimular o libido. Os faraós posteriores ofereceriam os primeiros frutos da colheita ao deus para garantir a colheita abundante, com registros das ofertas dos primeiros talos de brotos de trigo oferecidos no Reino Ptolemaico (332–30 a.C.).

Mesmo algumas deusas da guerra foram descritas com o corpo de Min (incluindo o falo), e estas também levaram algumas representações ostensivamente de Min, mas com a cabeça de uma leoa.[carece de fontes] Os civis que não podiam praticar formalmente o culto ao deus prestaram homenagem de outras formas, uma vez que esterilidade era uma condição desfavorável e vista com tristeza. Estatuetas de concubinas ou itifálicas e falos de ex-voto foram colocados nas entradas das casas de Deir el-Medina para honrar o deus Min na esperança de curar deficiências relacionadas. As mulheres egípcias tocariam o pênis das estátuas de Min na esperança de gravidez, uma prática que continua até hoje.

Família

Em "Hino a Min" é dito:

"Min, senhor das procissões, deus das altas plumas, filho de Osíris e Ísis, Venerado em Ipu... "

As esposas de Min eram Iabete e Repite.

Deus Montu

Montu é um deus da antiga religião egípcia oriundo do nomo tebano e associado à guerra. Era representado como um homem com uma cabeça de falcão, tendo na cabeça duas plumas altas e um disco solar com ureu (serpente) duplo. Nas suas mãos poderia segurar vários objectos, como um machado, setas e arcos. Poderia também ser representado como quatro cabeças que vigiam os pontos cardeais. Na Época Baixa foi representado com a cabeça de um boi.

De início Montu era um deus solar, associado a Ré (Montu-Ré), sendo considerado como a manifestação destrutiva do calor do sol. Foi no tempo da XI dinastia que Montu adquiriu características associadas à vitória e à guerra.

Era conhecido como o "senhor de Tebas", situando-se o seu principal centro de culto em Hermontis. Outras cidades associadas ao deus eram Medamud e Tod. Em Medamud existia um santuário mandado edificar por Sesóstris III, ampliado durante a época do Império Novo e posteriormente na Época greco-romana. Em Carnaque existia igualmente um templo dedicado a Montu, que possuía um lago sagrado.

Vários reis da XI dinastia tinham como nome de nascimento Mentuotepe ("Montu está satisfeito"), o que representava uma referência a esta divindade e atestando a sua importância durante este período.

Montu é referido nas Aventuras de Sinué, uma obra da literatura do Antigo Egito, cuja acção se desenrola no tempo da XII dinastia. O seu protagonista, o fugitivo Sinué, realiza um acto de louvor a Montu, depois de derrotar um inimigo de origem síria.

Por causa do seu carácter guerreiro, Montu foi identificado pelos Gregos como o deus Ares (Pois ser seu equivalente na guerra).

Deusa Mut

Mut é uma deusa do Antigo Egito, esposa de Ámon e mãe adotiva de Quespisiquis.

Mut é conhecida como uma deusa bastante poderosa. Inicialmente era conhecida como apenas uma deusa-falcão da cidade de Tebas. A partir da XVIII dinastia, quando o deus Ámon se tornou popular, Mut passou a ser vista como sua esposa, tendo substituído a primeira mulher deste, a deusa Amonet, como sua companheira.

Esta deusa era representada como uma simples mulher com um vestido vermelho ou azul usando a serpente (ureu) e a coroa dupla (atefe) do Alto e Baixo Egito. Por vezes, era também representada com uma cabeça de leoa.

Possui uma sala no Templo de Carnaque.

Deusa Néftis

Néftis (em grego: Νέφθυς, Nephthys) ou Nebthet (em árabe: نيفتيس, Nyftys) é uma divindade da mitologia egípcia.

O nome Néftis significa senhora da casa, entendida no sentido físico, como a casa para onde o Sol retorna no fim do seu curso, ou seja, os céus noturnos.

É muito difícil diferenciar Néftis de sua irmã Ísis: ambas são chamadas de Deusa Mãe e deusa dos céus, e ambas usam como símbolo a cabeça de abutre e o disco solar, com os chifres do sol na cabeça, ambas são as que distribuem vida plena e felicidade.

Existe mesmo confusões a respeito dos maridos: Néftis às vezes é citada como esposa de Osíris, enquanto Ísis é mencionada como esposa de Seti; sendo o par Osíris-Néftis citado como os pais de Anúbis.

As lendas sobre os adultérios entre os deuses, possivelmente, são oriundas do fato de que, em localidades diferentes, os principais deuses tinham companheiros diferentes, assim, a deusa mais importante de uma determinada tribo era denominada esposa do deus, sendo as demais relegadas à posição de concubinas.

Néftis, porém, nunca teve a mesma fama ruim do seu marido Seti, o deus da morte: junto de Ísis, ela lamentou o assassinato de Osíris, e ela zelou pelo corpo do deus morto. Assim, quando é denominada guardiã dos mortos, é com o significado favorável. Ela preside aos momentos finais da vida, mas para levar o falecido à vitória.

Néftis também é uma deusa da natureza: se Nut é a deusa do céu, então Ísis e Néftis são as suas duas extremidades, o leste e o oeste, ou o norte e o sul.

Deusa Neith

Neite (em grego clássico: Νηΐθ; romaniz.: Neith; em egípcio: nt) é a deusa da guerra e da caça, criadora de Deuses e homens, divindade funerária e deusa inventora.

Neite, também chamada Tehenut, é uma antiga Deusa egípcia cujo culto provém do período pré-dinástico, na qual tinha forma de escaravelho, depois foi deusa da guerra, da caça e deusa inventora. Platão afirmou que em Saís, Atena fundia-se com Neite, pelos atributos da guerra e da tecelagem, e tinham um mesmo animal simbólico, a coruja.

Em seu aspecto funerário, é a Deusa protetora dos mortos: quem inventou o tecido (se converte em patrona dos tecedores) que oferece tanto às vendas, quanto o sudário aos mortos.

Iconografia

Representada como uma mulher por vezes com coroa vermelha do Baixo Egito ou com o escudo e arcos. Também foi representada como coruja, escaravelho, abelha, vaca, peixe, com cabeça de leoa, e às vezes dando de mamar a um crocodilo (Sobeque).

Deusa Nut

Nut (também Neuth ou Nuit) é a deusa do céu na mitologia egípcia. Ela simboliza a esfera celeste e era tida como a mãe dos corpos celestes. Contemporaneamente, é sincretizada com a deusa Nuit, do panteão da religião de thelema.


Índice


1Mitos

2Representação

3Nut como deusa do céu

4Nut e o culto dos mortos

5Nut na astronomia

6Culto

7Veja também

8Notas

9Referências

Mitos

A deusa Nut, sendo uma das deusas primordiais, faz parte do mito de criação na enéade de Heliópolis. Segundo o mito de criação heliopolitânico, ela é filha de Shu, deus do ar seco, com Téfnis, deusa da umidade, e neta de Atum, deus solar. Junto de seu irmão e consorte Gebe, deus da terra, ela dá origem às divindades Osíris, Ísis, Seti e Néftis. Na mitologia do antigo Egito, Nut também consta, ao lado de Ísis, como mãe de Hórus, já que Ísis engravidara de Osíris ainda no útero de Nut. No entanto, ela é descrita no Livro de Nut como a mãe de Rá e a esposa de Osíris.

Excerto do Escrito de Seth I

"O esplendor de Rá emerge dos quadris dela, no horizonte oriental. Assim ele se dirige à Terra, assim ele nasce e se manifesta. Então abre as coxas de Nut, sua mãe. E retorna para o céu. Assim surge Rá, assim ele surge pela primeira vez sobre a Terra. Ele irrompe de sua bolsa e nada em seu rubor. E se limpa nos braços de Osíris, seu pai. E assim vive Osíris, após Rá ter nele se acomodado. Assim surge o rubro alvorecer. Assim ele atua no Oriente, nos braços de Osíris, seu pai. Assim sua figura se engrandece quando ele ascende ao céu."

Representação


A deusa do céu, Nut (ao amanhecer), na tumba de Ramessés VI (KV9)


Nut com Geb e Shu

Nut é geralmente representada sob forma humana. Uma das representações mais recorrentes mostra a deusa de perfil e nua, como se arqueasse seu corpo sobre o deus da terra, Gebe, tocando o horizonte com os braços e pernas estendidos. As vezes ela aparece apoiada em seu pai, o deus do ar seco, Shu. Ela também foi representada de frente no interior de sarcófagos, geralmente engolindo ou dando à luz o sol. Essa imagem era posta na parte inferior da tampa, para formar uma espécie de união com o defunto. A urna representava o corpo de Nut, que recebia o morto para então dar-lhe novamente à luz. Em alguns casos, Nut foi retratada como “vaca celestial”, seus quatro cascos simbolizando os pontos cardeais, ou como uma porca com seus filhotes.

Nut como deusa do céu


A deusa usando o sinal de pote de água (nw) que a identifica.

A deusa usando o pote de água (nw), sinal que a identifica.

Nut desempenhou um papel importante na cosmogonia egípcia. Ela representava o céu; seu riso era o trovão e seu choro a chuva. O corpo de Nut simbolizava a abóbada celeste, ele separava a Terra da enchente primordial. Segundo a concepção mitológica, o corpo de Nut se estendia sobre a Terra para protegê-la; seus membros, que tocavam o solo, simbolizavam os quatro pontos cardeais. Ao mesmo tempo ela era tida como a mãe dos corpos celestes.

Acreditava-se que, ao entardecer, o sol se punha em sua boca, para que, à noite, viajasse através de seu corpo e que, pela manhã, ele voltasse a brilhar em seu ventre, no Oriente. Em ciclo eterno, também as estrelas andavam por seu corpo durante o dia. Dessa construção metafórica surge a representação de Nut como a “porca que devora seus filhotes”. Apesar da alcunha, a deusa era respeitada por ser muito benéfica.

O mito do nascimento de seus filhos foi narrado pelo escritor grego, Plutarco. O deus do sol, Rá, invejava Nut por seu lugar eterno no céu e temia que isso pudesse tornar questionável seu próprio poder. Por isso, ele a amaldiçoou, para que ela não pudesse dar à luz em nenhum dia dos 360 dias do ano então vigente. No entanto, o deus Tote (que para Plutarco correspondia ao deus grego Hermes) acrescentou mais 5 dias ao ano, permitindo assim que Nut desse à luz seus filhos.

Nut e o culto dos mortos


A deusa do céu, Nut (ao entardecer), na tumba de Ramessés VI (KV9)

Nut também teve um papel importante no culto egípcio dos mortos. Ela estava intimamente relacionada à crença na ressurreição dos mortos, que, depois de terem morrido, luziam como estrelas em seu corpo. Junto com seu irmão e consorte, Gebe, o deus da Terra, ela deu à luz as divindades Osíris, Ísis, Néftis e Seti, todas relacionadas ao culto egípcio dos mortos. Nut também era uma deusa dos mortos. Nos textos das pirâmides, entre outras representações, ela aparece como uma vaca curandeira. Ela também foi frequentemente retratada no interior de sarcófagos como a protetora dos mortos em sua passagem ao outro mundo. Posteriormente, os papéis exercidos por Nut foram muitas vezes sincretizados com os da deusa Hator. Nut assumiu, então, parte do papel de Hator como a senhora do sicômoro (Ficus sycomorus), da árvore que daria de comer e beber aos mortos e Hator foi representada, em parte, como a deusa do céu.

Nut na astronomia

Alguns egiptólogos como, por exemplo, Kurt Sethe, Arielle Kozloff e Ronald Wells, sustentam a ideia de que a deusa Nut simbolizava a faixa da Via Láctea. Eles se referiram, entre outros, à passagem 176 do Livro dos Mortos, que apontaria para uma conexão entre a deusa e a faixa de estrelas. Além disso, eles apontam para representações do período ramsida em que seu corpo aparece coberto e rodeado de estrelas para justificar sua hipótese, ainda que não consigam apresentar documentos que a comprovem. Depois de revisar esses e outros textos, tais hipóteses não foram mais levadas em conta, pois Harco Willems, Rolf Krauss e Arno Egberts comprovaram concretamente que “a região fronteiriça entre o céu e as estrelas, na passagem de entrada e saída do Tuat” representa o Mesqet (a região do céu mais próxima do horizonte) de Nut.

Culto


A deusa do arco celeste Nut representada como uma vaca.

Assim como muitas outras divindades, Nut não tinha culto nem templo próprios, no entanto seus retratos decoram muitos lugares de culto. Ainda que raramente, amuletos onde Nut era representada como uma porca foram usados pela população.

Deus Osíris

Osíris (em egípcio: wsjr) é um deus da mitologia egípcia. Conhecido com o deus dos mortos, além de ser a divindade da vegetação, do julgamento e do além. Em outras culturas, seu nome é variavelmente transcrito em Asar, Ausir, Wesir, Ausare, Hagir, Heinir, Higor, Hermes, Antar, Varor, entre outros. Oriundo de Busíris, no Baixo Egito, foi, primitivamente, a deificação da força do solo, que faz a vegetação crescer; disto derivou seus atributos posteriores, que o exaltam como o inventor da agricultura e consequentemente o propiciador da civilização, do qual tornou-se uma espécie de patrono. Mais tarde, seus mitos passaram a representá-lo como um mítico faraó que teria governado o Egito em tempos imemoriais, sendo traído por seu próprio irmão, Seth, que o mata para obter o trono. Osíris, vencendo a morte, renasce no Além, tornando-se o Senhor da vida pós morte e juiz dos espíritos que lá chegam. Embora a trajetória de deus da vegetação para deus da vida após morte pareça desconexa e incoerente, o que há de comum nessas atribuições é o conceito de ciclos de vida e renascimento que tanto a vegetação quanto a passagem para o além carregam. Assim, pode-se dizer que, resumidamente, Osíris é o deus do renascimento.

Osíris foi um dos deuses mais populares do Antigo Egito, cujo culto remontava às épocas remotas da história egípcia e que continuou até a era Greco-Romana, quando o Egito perdeu a sua independência política.

Marido de Ísis e pai de Hórus, era ele quem julgava os mortos na "Sala das Duas Verdades", onde se procedia à pesagem do coração ou psicostasia.

Osíris, é sem dúvida o deus mais conhecido do Antigo Egito, devido ao grande número de templos que lhe foram dedicados por todo o país, porém, os seus começos foram os de qualquer divindade local e é também um deus que julgava a alma dos egípcios se eles iam para o paraíso (lugar onde só há fartura). Para os seus primeiros adoradores, Osíris era apenas a encarnação das forças da terra e das plantas. À medida que o seu culto se foi difundindo por todo o espaço do Egito, Osíris enriqueceu-se com os atributos das divindades que suplantava, até que, por fim substituiu a religião solar. Por outro lado a mitologia engendrou uma lenda em torno de Osíris, que foi recolhida fielmente por alguns escritores gregos, como Plutarco. A dupla imagem que de ambas as fontes chegou até nós deste deus, cuja cabeça aparece coberta com a mitra branca, é a de um ser bondoso que sofre uma morte cruel e que por ela assegura a vida e a felicidade eterna a todos os seus protegidos, bem como a de uma divindade que encarna a terra egípcia e a sua vegetação, destruída pelo sol e a seca, mas sempre ressurgida pelas águas do Nilo.


Índice


1Nome

2Iconografia

3O mito de Osíris

3.1Mito e história

4Símbolos

5Referências

Nome


Estátua de Osiris

Segundo Diodoro Sículo, os primeiros egípcios, logo que surgiram, olharam para o céu e ficaram com temor do Universo, e imaginaram dois deuses eternos, o Sol e a Lua, respectivamente Osíris e Ísis. Osíris significa muitos-olhos, um significado apropriado para representar os raios do Sol, que veem tudo, tanto a terra quanto o mar. Os mitógrafos gregos, ainda segundo Diodoro Sículo, identificaram Osíris com Dionísio e com a estrela Sirius; Diodoro cita poemas de Eumolpo e Orfeu identificando Dionísio com a estrela Sirius. Segundo alguns, Osíris era representado com uma capa de estrelas, imitando o céu estrelado.

Segundo Isaac Newton, Osíris é um nome grego; eles interpretaram o lamento egípcio 0 Sihor, Bou Sihor como Osíris, Busíris. Ele identifica Osíris com o faraó Sesac ou Sesóstris que reinou de 1002 a.C. a 956 a.C..

Iconografia


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Osíris Vegetante

A representação mais antiga conhecida de Osíris data de 2019 a.C. sua representação mais comum correspondia ao de um homem mumificado com uma barba postiça, com braços que emergem do corpo cruzados sob o peito.Ele segura o cajado hekat e o açoite nekhakha. Na cabeça Osíris apresentava a coroa atef, isto é, uma coroa branca com duas plumas de avestruz. Em algumas representações poderia ter um uraeus (serpente) sob a coroa e uns cornos de carneiro.

Poderia também ser retratado como uma múmia deitada de cujo corpo emergiam espigas ("Osíris vegetante"). Esta representação está associada a um prática dos Egípcios que consistia em regar uma estátua do deus feita de terra e de trigo. Estas estátuas eram depois enterradas nas terras agrícolas, acreditando-se que seriam a garantia de uma próspera colheita. Este costume está atestado desde a Pré-História do Egito até à época ptolemaica.

A pele do deus poderia ser verde ou negra, cores que os Egípcios associavam à fertilidade e ao renascimento.

A representação de Osíris como um animal era rara. Quando se verificava o deus poderia surgir como um touro negro, um crocodilo ou um grande peixe.

O mito de Osíris

O mito de Osíris é conhecido graças a várias fontes, sendo a principal o relato de Plutarco (século I) De Iside et Osiride (Sobre Ísis e Osíris). Alguns textos egípcios, como os Textos das Pirâmides, os Textos dos Sarcófagos e Livro dos Mortos, narram vários elementos do mito, mas de uma forma fragmentária e desconexa.

Osíris é apresentado como filho de Geb e Nut, tendo como irmãos Ísis, Néftis e Set. É portanto um dos membros da Enéade de Heliópolis. Ísis não era apenas sua irmã, mas também a sua esposa.

Osíris governou a terra (o Egito), tendo ensinado aos seres humanos as técnicas necessárias à civilização, como a agricultura e a domesticação de animais. Foi uma era de prosperidade que contudo chegaria ao fim.

O irmão de Osíris, Set, governava apenas o deserto, situação que não lhe agradava. Movido pela inveja, ele decide engendrar um plano para matar o irmão. Auxiliado por setenta e dois conspiradores, Set convidou Osíris para um banquete. No decurso do banquete, Set apresentou um magnífico sarcófago que prometeu entregar a quem nela coubesse. Os convidados tentaram ganhar a caixa, mas ninguém coube nela, dado que Set a tinha preparado para as medidas de Osíris. Convidado por Set, Osíris entra na caixa. É então que os conspiradores trancam-na e atiram-na para o rio Nilo. A corrente do rio arrasta a caixa até ao mar Mediterrâneo, acabando por atingir Biblos (Fenícia).

Ísis, desesperada com o sucedido, parte à procura do marido, procurando obter todo o tipo de informações dos encontrados pelo caminho. Chegada a Biblos, Ísis descobre que a caixa ficou inscrustrada numa árvore que tinha entretanto sido cortada para fazer uma coluna no palácio real. Com a ajuda da rainha, Ísis corta a coluna e consegue regressar ao Egito com o corpo do amado, que esconde numa plantação de papiros.

Contudo, Set encontra a caixa e furioso decide esquartejar Osíris em catorze pedaços o corpo que espalha por todo o Egito; em alguns textos do período ptolemaico teriam sido dezesseis ou quarenta e duas partes. Quanto ao significado destes números, deve referir-se que o catorze é número de dias que decorre entre a lua cheia e a lua nova e o quarenta era o número de províncias (ou nomos) em que o Egito se encontrava dividido.

Ísis, auxiliada pela sua irmã Néftis, partiu à procura das partes do corpo de Osíris. Conseguiu reunir todas, com excepção do pénis, que teria sido devorado por um ou três peixes, conforme a versão. Para suprir a falta deste, Ísis criou um falo artificial com caules vegetais. Ísis, Néftis e Anúbis procedem então à prática da primeira mumificação. Ísis transforma-se em seguida num milhafre que graças ao bater das suas asas sobre o corpo de Osíris cria uma espécie de ar mágico que acaba por ressuscitá-lo; ainda sob a forma de ave, Ísis une-se sexualmente a Osíris e desta cópula resulta um filho, o deus Hórus. Ísis deu à luz este filho numa ilha do Delta, escondida de Seth. A partir de então, Osíris passou a governar apenas o mundo dos mortos. Quanto ao seu filho, conseguiu derrubar Seth e passou a reinar sobre a terra.

Mito e história

Alguns autores especulam que o mito de Osíris possa ter ligações com eventos históricos. Assim, Osíris seria um chefe nômade responsável pela introdução da agricultura na região do Delta. Aqui teria entrado em conflito com Seth, líder das populações do Delta. Osíris teria sido morto por Seth e vingado pelo seu filho.

Segundo Newton, Osíris e Busíris é como os gregos interpretaram o lamento egípcio O Siris e Bou Siris; Newton identifica Osíris com vários conquistadores mitológicos: Sesac, Baco, Marte, o Hércules egípcio citado por Cícero e Belo. Sua morte é dada no ano 956 a.C., e ele é morto por seu irmão Jápeto.

Símbolos


Pilares djed (a verde)

O símbolo mais importante associado a Osíris era o pilar ou coluna djed. Não se sabe o significado exacto deste símbolo, tendo sido proposto que representaria quatro pilares vistos uns atrás dos outros, a coluna vertebral de um homem ou do próprio Osíris ou uma árvore de cedro da Síria com os ramos cortados (esta última hipótese relaciona-se no relato mítico segundo o qual a caixa-sarcófago ficou inscrustrado num cedro). O djed representava para os Egípcios a estabilidade e a continuidade do poder.

O djed era o elemento principal de uma cerimónia ritual que se celebrava durante a festa heb sed do faraó (o jubileu real), denominada como a "erecção da coluna djed" e das quais se conhecem várias representações.

A nébride, ou seja, a pele de um animal esfolado (julga-se que seria a pele de uma vaca ou então de um felino) pendurada num pau que está inserido num recipiente, era outro símbolo associado ao deus.

Osíris tinha como barca sagrada a nechemet, na qual as Ísis e Néftis eram representadas ocupando respectivamente a proa e a popa.

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